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Paulo Bonates

Quando a inveja termina em assassinato

Agora matam o Camata, alma gentil e perto da gente. Não há muito o que dizer diante dos absurdos, do cruel

Publicado em 07 de Janeiro de 2019 às 19:24

Públicado em 

07 jan 2019 às 19:24
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates Paulo Bonates
Líder Martin Luther King Crédito: Ted Williams/Iconic Images/Getty Images

O assassinato é uma forma bizarra de elaborar a inveja. Certa vez, o imperador romano Júlio César, chefe militar, foi esfaqueado por seu filho adotivo, Marcus Julius Brutus, a quem deu tudo. Ele juntou uma patota de salafrários e na escadaria do Senado, no ano de 44 a.C, ao lado de 60 senadores, matou o pai. Jamais obteve nada com isso a não ser a vergonha diante dos romanos. Júlio César olhou para trás e apenas disse calmamente: “Até tu Brutus, grandecíssimo filho da puta?”.

Rolam os anos, e em 1865, Abraham Lincoln, que liderou os legalistas vitoriosos na batalha entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos, a chamada Guerra de Secessão, foi assassinado pelo ator John Wilkes Booth, enquanto assistia no Teatro Ford, em Washington, a peça “Our American Cousin” (Nossa Prima Americana). Exagero. Será que o presidente vaiou o roteiro da peça?

Em 1963, o líder político mundial, o charme das mocinhas, John Fitzgerald Kennedy, foi atingido por disparos em Dallas, Texas, enquanto desfilava em carro aberto, ao lado da mulher Jacqueline. A conclusão do inquérito foi uma loucura. Todos apontados pareciam suspeitos. Afinal, a culpa ficou com um desconhecido Lee Oswald, morto em seguida por um certo Jack Ruby, que morreria logo depois, de morte morrida. O irmão de John, Robert, também foi morto. Em 1968.

Martin Luther King, que liderava a luta contra o massacre aos negros em todo mundo recebeu um tiro quando estava na sacada de seus aposentos, em Memphis, Tenessi, em 1968.

Mahatma Gandhi enquanto pregava a favor da igualdade em uma grande praça em Nova Deli foi atingido por três tiros por um direitista radical que o acusava de enfraquecer o poder fascistoide da Índia.

O líder do revolucionário grupo musical inglês The Beatles, John Lennon, foi atingido por cinco disparos, em Nova York, por um idiota de aldeia cujo nome jamais será citado por mim.

O ator americano Sao Mineo, que liderava a chamada Juventude Transviada americana, foi esfaqueado e morto na Califórnia, em 1976. A belíssima Sharon Tate Polansky, casada com Roman Polansky, foi assassinada pelas mãos de Charlie Manson, e seu bando religioso psicótico.

Agora matam o Gerson Camata, alma gentil e perto da gente, qualquer gente. Não há muito o que dizer diante dos absurdos, do bizarro, do cruel.

Hoje, passei pelo jornaleiro, da Praia do Canto, onde frequentemente o via e dizíamos qualquer coisa.

Jesus haverá de conduzi-lo e deixar que lhe file um cigarrinho.

Paulo Bonates

Paulo Bonates Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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