Este ano não foi mesmo igual àquele que passou pra mim. Não fui à mesinha do povo da Escola de Samba da Piedade de Papo Furado, nem ao Bloco Surpresa da Barra do Jucu, mesmo tendo feito parte da letra e música da ala dos compositores, com o enredo “Ninguém põe no Meu”.
Também não fui de Vampiro no Baile Secreto, de Luciana Almeida e Maria Sanz, nem às escolas do Sambódromo, nem sequer nos passeios carnavalescos nos barcos do Iate Clube, nem na cadeira de vime da padaria do Serginho, nem sequer em lugar nenhum. Deixei o Carnaval passar por mim sem dar a mínima confiança mútua. Decidi passar as madrugadas fagueiras, como sempre, procurando assunto pela casa.
O carnaval estava mais para a tragédia e perversão. Os idiotas da Rússia continuam soltando fogos e ameaçando de morte por bomba e outros armamentos nucleares. A população ucraniana em defesa mata também. O Amazonas, à moda dos governos, continua a fazer o mesmo joguinho de cena no meio das matas.
Por outro lado…
Um terremoto na Turquia e na Síria matou mais de 45 mil pessoas. Pelas ruas do Brasil cai uma chuva do cão em São Sebastião, São Paulo, matando por enquanto 64 pessoas e deixando centenas de outras em alto risco.
Idiotas sacramentados num certo dia 8 de janeiro fizeram também seu carnaval grotesco, sem direção ou sentido, promovendo uma esculhambação destrutiva no centro da capital do país, em Brasília. Não me perguntem como estão totalmente as coisas, porque eu não sei. Nem ninguém.
Parece que acalmou um pouco, convém não vacilar. Os bandoleiros que atacaram os palácios, por exemplo, e sabe-se o que mais, a bem da verdade estavam desprovidos de identidade.
O carnaval no Brasil faz parte do contar história, a nossa história. Cada vez mais as artes fundem-se com a história do país e surge o Congo, Gil, Mauricio de Oliveira, a Capoeira, o boi-bumbá, o Boi de Parintins, o rodeio, a Fincada do Mastro e toda manifestação de dor geme e faz música. Dizem que este ano perdi a festa.
Guardei minha capa e chapéu de Mosqueteiro para quando Deus quiser e vier.
O Bloco Surpresa ressurgiu na Barra do Jucu, naturalmente, depois desse pandemônio, mas reuniu, por tradição, Rubinho, Brega, e a população.
E a torcida cantou como sempre até o sol raiar.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, divulga o livro de Karl Popper, “A sociedade aberta e seus inimigos”.