Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Paulo Bonates

O cheiro da reforma que esconde malandragens é insuportável

Agrupados, nossos "representantes" discutem privilégios. As categorias que historicamente gozam de privilégios com o nosso dinheirinho nem passam pela discussão

Publicado em 15 de Julho de 2019 às 20:02

Públicado em 

15 jul 2019 às 20:02
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates Paulo Bonates
Mau cheiro e reforma Crédito: Getty Images/iStockphoto
Produz um aroma insuportável esta falação sobre a tal reforma que, de conteúdos, só tem o nome. Para ocultar as malandragens sussurram nos cantinhos os burocratas. Perdoem a má vontade, mas o que ocorre, acho, é uma espessa cortina de fumaça negando a inteligência do bravo cidadão nacional.
Enquanto isso, defendem com unhas e dentes suas insuportáveis mamatas. Apresentam e reapresentam seus teatrinhos infantis e no final das contas quem decide mesmo são os burocratas treinados em enfeitar o que o mestre mandar. Não esqueça o que, com licença da palavra, Fernando Collor cometeu. Entre outras perversidades e perversões, a retirada de direitos do funcionalismo. Ninguém se mexeu entre os poderes.
Agrupados, discutem privilégios sentados nos próprios rabos, os nossos “representantes”. As categorias que historicamente gozam de privilégios com o nosso dinheirinho nem passam pela discussão. Agora, atenção.
Os médicos, por exemplo. Quando essas peças se lembram dos esculápios é para diminuir os já parcos salários. Um servidor federal médico, com 35 anos de trabalho, recebe líquido R$ 4 mil. E não tem nenhuma espécie de privilégio e precisa pagar o próprio plano de saúde.
Tais profissionais, sem sombra de dúvida, expõem-se diariamente à contaminação em todos os setores por onde transita. Isso ocorre em contato direto e constante com a Aids, a tuberculose, a sífilis, os surtos de doenças mentais, a radiação em salas de cirurgia, as jornadas intermináveis, as perícias tensas e as suas consequências, e tudo o que aparece na patologia. É fácil deduzir o impacto na vida pessoal.
Quem quiser saber a quais perigos, fora as sobrecargas de trabalho, falta de refeitórios, elevadores, que busque no Google a Classificação Internacional de Doenças, o CID 10, onde estão expostos os diagnósticos numerados sob à ótica nosológica. Os pronto-socorros públicos no Brasil são palcos de guerra contra a falta de tudo. E a exposição constante. Isso sem falar nas noites em claro, o que ocorre frequentemente. E etc.
Os sindicatos não estão nem aí. Conselhos Regionais nem pensar. Essa turma de parlamentares, com as sempre raras exceções, discute leis das quais não têm a mínima ideia. A maioria não está habilitada nem para levar meu cachorro Alfredão para dar uma volta na pracinha.
É justo que os pracinhas das forças armadas recebam um diferencial porque também se expõem, assim como os bombeiros e os policiais que, como os médicos, enfrentam risco de morte todo santo dia.
Aliás, a população também.
 

Paulo Bonates

Paulo Bonates Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Haverá interdições no trânsito no fim de semana em Vila Velha para corridas
Corridas alteram trânsito em Vila Velha no fim de semana
Sérgio Meneguelli na convenção estadual do PSD
Meneguelli: "Esse negócio de me chamar de esquerdista é coisa de patriotário"
Engavetamento na Terceira Ponte, sentido Vitória
Manhã de sexta (7) com resgate na Ciclovia da Vida e engavetamento na Terceira Ponte

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados