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Crônica

Nada melhor do que reviver velhas lembranças futebolísticas

Se alguém achar que esses dados estão trocados ou errados, que não se avexem. Se assim está na minha memória, saibam que isso não depende de nada ou ninguém

Públicado em 

01 out 2019 às 07:57
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Time do Ouriço:  Carlos Sala, Paulo Bonates, Edilson Suzano, Basílio e Ademar (agachados). Em pé: Eurico, Prette, Rubinho Bianco, Evanilo, Helton Bacana e Schwab Crédito: Arquivo pessoal
Existe, parece, um momento na vida em que as recordações se materializam e as imagens e escritos ganham uma roupa de nova vida. Agorinha mesmo olho um álbum e dou de cara com o time do Ouriço, formado por médicos, posando para foto nos nossos domínios futebolísticos.
Imediatamente uma cena me invade: Berilurdes cruza para mim uma bola da intermediária e a alcanço jogando a cabeça para trás e cabeceando para baixo e para o gol. O craque Beri, com quem fazia arte no meio de campo, estava criticando minha lentidão o jogo inteiro.
Depois dessa jogada, não me contive: “Olha lá veado!”, com toda a paixão do mundo. Na lateral do campo, estavam Simonetti e Sandoval assistindo, este gritou de lá: “Parabéns, duas vezes. Pelo gol e pelo grito”. Senti hoje a mesma emoção ao olhar a foto. Fecho os olhos e ainda vejo. Pareciam em movimento.
Lá estavam Rubinho Bianco, Evanilo, Edilson, Carlos Sala, Ademar, Hilton Bacana, Pretti, Basílio, Vitor Buaiz, Roberto Serpa... Alguns desses não estavam na foto citada, mas quando fecho os olhos vão chegando e se ajeitando na minha memória.
Serginho Ramos, Sergio Emery, Carlos Mariano e seus filhos, e o nosso povo vai chegando... Gladys Lessa encarregava-se de distribuir as notas por desempenho de cada um nos times, ambos formados por sócios do Ouriço. Durante o campeonato da região enfrentávamos adversários, o Planalto, Fluminensinho, e quem mais viesse.
Todo santo sábado à tarde era igual e diferente. Mal o sol esfriava, reuníamos toda a felicidade do mundo em um gramado adquirido pelo clube.
Fecho os olhos. Agora vejo Evanilo cantando samba em um bar de Goiabeiras. Fecho os olhos. Aparece Dalmo Lora, que foi presidente e fez a sauna. Ou teria sido o Roberto? Agora me vem à imagem de uma tabelinha que fizemos, Beri e eu, na intermediária adversária para desespero do goleiro do Planalto. Essa foi bem no cantinho. Lembro agora que me deslocava para receber do Rubinho a bola no pé. Ou matando no peito. Se eu acho que jogava bem? Tenho certeza. Já não tenho e tempo e nem vontade para omitir amor próprio.
Fecho os olhos duas vezes e a mente muda completamente de cenário. Aparecem em cores a plateia do Cine São Luiz e sua opereta de pré-exibição, uma sinfonia de Tchaikovsky. Vejo um baleiro vendendo Serenata, o bombom, sinto o cheiro. Lembro de um filme financiado pelo Sindicato dos Médicos por onde eu andava, “Danton”.
Lembro da Terezinha secretariando tudo. Agora vem a reunião em que colocamos Nilton Baiano, depois Vitor, ou o contrário, na presidência. Memorizei a tristeza de Jussimar. Era presidente da associação e não se elegeu para o sindicato. Se alguém achar que esses dados estão trocados ou errados, que não se avexem. Se assim está na minha memória, saibam que isso não depende de nada ou ninguém. Nem de mim.
Fecho e abro os olhos e aparece Sophia Loren, o amor inconsciente da minha vida pensante.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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