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Crônica

A voz da medicina: recordações de um editorialista insuperável

João Luiz de Aquino Carneiro escrevia quase todos os editoriais e a opinião da entidade. Foi presidente da Ames duas vezes

Públicado em 

18 mar 2025 às 03:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Tem gente que vem ao mundo para deixar marca. Posso lembrar como em um resumo a atenção que mantinha durante as reuniões de pauta da revista da Associação Médica do Espírito Santo (Ames). Afinal, João Luiz de Aquino Carneiro escrevia quase todos os editoriais e a opinião da entidade. Foi presidente da Ames duas vezes.
Militei, eu, muito tempo como editor do jornal da entidade médica e, depois, da revista. Sempre voltadas para o direito dos pacientes e o dever do médico, ambas as publicações eram ofertadas mensalmente para os membros.
João Luiz, médico e professor, morreu aos 90 anos de idade
João Luiz, médico e professor, morreu aos 90 anos de idade Crédito: Acervo pessoal
A diretoria discutia nas reuniões da sede os assuntos a serem abordados com a devida posição da entidade diante das inúmeras dificuldades éticas, técnicas e políticas, que fazem parte da arte médica de ajudar o outro em suas mais graves situações. As matérias versavam sempre com muito compromisso sobre o cotidiano da prática, todas elas.
O editorialista – aquele que coloca o dedo nas inúmeras feridas do exercício da medicina, em todas as suas especialidades - era implacável com a injustiça ao objeto de nosso estudo e trabalho. Doutor Carneiro chamava os alunos carinhosamente de “poeta”, sendo adorado e respeitado por todos.
O texto dos editoriais, a opinião dele, era aguardado por todos nós do conselho, pois encerradas as discussões do grupo, na sede de Bento Ferreira, a tarefa na maioria das vezes era entregue ao próprio doutor Carneiro.
Jamais assisti ou convivi com as ideias de alguém mais diretivo, com um escrever direto e estético.
O objeto do trabalho na Ames, o médico, tem características únicas. Todo contato com um paciente – com grande possibilidade de estar doente - representa uma enorme probabilidade de contágio para o médico, citando só um dos fatores de risco. Mas é um juramento a ser cumprido, como pontuava doutor Carneiro.
Ninguém na profissão deixaria de atender se dependesse dele.
Então.
A entidade, Ames, começou com Archimino Mattos (1924-1941). Também assumiram, entre outros, Wilson Champoudry de Mattos, Severino Dantas Filho, Hélio Barroso dos Reis, Gerson Thomé Marino, Paulo Mendes Peçanha, Luiz Alberto Tavares, Dório Silva, José Moysés, Jair de Andrade…
A Ames continua de pé dentro da ideologia de seus líderes históricos.
Viva João Luiz de Aquino Carneiro.
Doria Gray, meu cão vira-lata, deixou cair uma lágrima sentida.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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