Nos estudos macroeconômicos, a taxa de desocupação se caracteriza como um indicador relevante para compreender as tendências do mercado de trabalho. Essa é uma medida relativa que considera os indivíduos com idade para trabalhar (14 anos ou mais de idade) que não estão ocupados, porém estão disponíveis e tentam encontrar um posto de trabalho para preencher.
Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que em 2022 o Brasil contabilizou uma taxa de desocupação de 9,3%, conforme o gráfico apresentado nesse artigo. Dez anos atrás, em 2012, essa taxa era de 7,4%. Computou uma pequena redução em 2014 (6,9%).
Por conta da crise político-econômica nacional da última década, em 2015 a taxa de desemprego aumentou fortemente para o patamar de 8,6%. Com o aprofundamento da citada crise, a taxa seguiu subindo até o nível de 12,9% em 2017. Em 2018 e 2019 a desocupação se manteve elevada, registrando valores respectivos de 12,4% e 12,0%.
Com os impactos econômicos ocasionados pela pandemia, em 2020 (13,8%) e 2021 (13,2%) a taxa de desocupação do Brasil aumentou ainda mais. Devido ao maior controle dos indicadores epidemiológicos proporcionado pela ampliação da cobertura das vacinas contra a Covid-19 e a retomada de atividades econômicas, a taxa de desocupação fechou 2022 em um patamar abaixo do nível pré-pandemia, porém acima das taxas anteriores à crise político-econômica (2015-2017).
Em 2022 a taxa de desocupação do Espírito Santo ficou em 7,9%, valor abaixo da nacional (9,3%), inferior ao patamar pré-pandemia e próximo do nível que antecedeu a crise político-econômica nacional. Essa foi a menor taxa do ES em sete anos. Na última década, o desemprego capixaba seguiu tendência semelhante à média brasileira. Nesse período, a taxa de desocupação apresentou um pico em 2017 (13,3%) e outro em 2020 (12,9%). A menor taxa foi registrada em 2014 (6,3%).
Com base nessa breve análise, é possível sustentar a expectativa de que as taxas de desocupação brasileira e capixaba seguirão em tendência de queda ao longo de 2023. É provável que a taxa nacional se aproxime da faixa de 7% e a taxa capixaba fique abaixo de 6%. Para esses resultados se concretizarem, a conjuntura econômica não poderá sofrer fortes impactos nos próximos meses.
Para além disso, é necessário garantir um maior equilíbrio e uma melhoria nos condicionantes macroeconômicos nacionais e internacionais no decorrer dos próximos meses. Pelo pouco que observamos nesse início de ano, essa condição é desafiadora, porém não é impossível.