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PIB capixaba

Reação econômica do ES teve contribuições bem disseminadas entre os setores

Reação estadual não surpreende, principalmente dada a melhor organização sistêmica do Espírito Santo

Publicado em 25 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 set 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Porto de Tubarão - Vale Divulgaçao
Porto de Tubarão é um dos símbolos da economia capixaba Crédito: Vale/Divulgação
Como tenho dito reiteradas vezes aqui neste espaço, a economia do Espírito Santo tende a surfar melhor e com mais velocidade quando em “céu de brigadeiro” para as commodities, e em especial as do setor extrativa mineral, que inclui petróleo e minério de ferro.
Melhor ainda quando consegue ajuda do mercado interno. Essa tem sido a tônica numa série histórica entre 1970 e 2010 , sofrendo um período de reversão na década entre 2010 e 2020, quando a taxa média de crescimento da economia capixaba foi superada nacionalmente. Aliás, a pior década tanto para o Espírito Santo, quanto para o Brasil, em toda a série histórica.
Temos nessa referida década uma sequência de desempenhos para a economia capixaba abaixo da média geral. O primeiro deles entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo trimestre de 2014. Foram 9 trimestres sucessivos apresentando indicadores abaixo da média nacional, embora positivos.
Na sequência temos a crise iniciada em 2014, mas que eclodiu efetivamente em 2015 e 2016, quando tivemos 6 trimestres seguidos piores do que a média nacional. Nesse caso ocorreu a confluência da crise nacional com a crise hídrica no Espírito Santo e queda nas commodities, culminando com o fechamento das atividades da Samarco no final de 2015.
Na crise provocada pela pandemia do Covid- 19, a economia capixaba acabou sofrendo um impacto mais forte do que a média geral para o Brasil, com uma sequência de 8 trimestres seguidos apresentando variações acumuladas do PIB trimestral abaixo da média nacional. Em verdade, abarca um período que vai do segundo trimestre de 2019 ao primeiro trimestre de 2021.
A reação, no entanto, que não surpreende, principalmente dada a melhor organização sistêmica do Espírito Santo, mostra-se forte no terceiro trimestre de 2020, quando a variação trimestral do PIB chega a atingir cerca de 15%, saindo uma variação negativa de 12% no trimestre imediatamente anterior, ante uma queda de 11% e para um crescimento de 12% no âmbito nacional.
Se compararmos o primeiro semestre de 2021 com o mesmo período em 2020 vamos ver que a economia capixaba apresentou melhor desempenho: cresceu 7,9%, contra 6,4% em nível nacional.
Mas o que merece registro é o fato desse desempenho reativo ter tido origem em contribuições bem disseminadas entre os setores, com maior peso do comércio, com crescimento nominal de 23,3%, comparando-se variações acumuladas entre os dois semestres. A indústria também apresentou bom desempenho, com crescimento de 11,3%. Fato a ser comemorado, sem dúvida.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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