ASSINE
Colunista de A Gazeta Orlando e mestre em ciencias politicas e faz analises diarias do cenario politico capixaba

Nova recessão econômica pode cair direto no colo de Bolsonaro

O sentimento de frustração vem da percepção de forte instabilidade ou ausência de um ordenamento das coisas

Publicado em 16/05/2019 às 10h49
Presidente Jair Bolsonaro . Crédito: Windows)
Presidente Jair Bolsonaro . Crédito: Windows)

Infelizmente, o que se esperava que fosse um ano para saída definitiva de um longo período de crise da economia pode se transformar em um ano de retorno à recessão. Pelo menos é nessa direção que apontam vários dos indicadores referentes aos primeiros três meses de 2019, com destaque para o principal deles, o PIB.

Se o que salvou a economia em 2018, mesmo que demonstrando enormes fragilidades, foram sobretudo as expectativas colocadas sobre o novo governo que viria a tomar posse em janeiro deste ano, são elas agora a atuar no sentido inverso.

Essa frustração crescente e que se generaliza na sociedade, mas sobretudo na economia, encontra fundamentos principalmente da inabilidade do governo federal em exercer o seu principal papel que é governar. Que pressupõe, antes de tudo, a capacidade de liderar, de administrar conflitos e interesses, de dialogar com a sociedade, com instituições representativas e com os demais poderes constituídos. Além, naturalmente, da capacidade de se fazer leitura claras e objetivas dos anseios da população, para não dizer verdadeiras aflições do momento, e apontar, mesmo que com um mínimo de sustentação e legitimidade, a direção a ser seguida pela nação.

O governo que se encontra no poder não deve perder de vista que se até então a grande crise que assolou o país nos últimos anos, e que deixou quase 14 milhões de desempregados, é atribuída ao governo Dilma, uma nova recessão poderá cair direto no colo de Bolsonaro.

E nesse novo enredo o foco central das frustrações poderá nem estar mais na reforma da Previdência, extremamente necessária, mas no que poderá vir depois. A reforma da Previdência trará resultados mais concretos no médio e longo prazos. Já a economia precisa de estímulos e respostas mais rápidas.

O mercado, que se move e se orienta mais por expectativas que são geradas no dia a dia do que pela racionalidade de fatos pretéritos e presumidamente projetados no tempo, parece já ter precificado o evento da reforma da Previdência. Agora, o que nos parece provocar o sentimento de frustração é a percepção de situação de vácuo, de forte instabilidade, ou de ausência, mesmo que em expectativas, de um mínimo de ordenamento das coisas que possa apontar para uma melhora mais firme do cenário. Ou seja, o mercado, diante de sucessivas frustrações, fica em compasso de espera, e avesso a riscos.

Não podemos esquecer que a economia tem sua dinâmica determinada pelo lado da demanda. E o mercado por si só, ou seja, autonomamente, especialmente em situações de crise, não consegue funcionar a contento como ativador desta. É preciso que o Estado entre nessa equação como elemento estimulador, ordenador e orientador, e que promova um “Estado de confiança”.

A Gazeta integra o

Saiba mais
economia reforma da previdência

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.