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Colunista de A Gazeta Orlando e mestre em ciencias politicas e faz analises diarias do cenario politico capixaba

Indústrias do ES não avançam sem uma transformação estrutural

O setor industrial tem que voltar a ser o motor propulsor da economia. E não há outra estratégia senão se embasando em conhecimentos avançados e inovação

Publicado em 26/06/2019 às 13h34
Metalurgia é um dos setores da indústria que acumulam queda ao longo do ano. Crédito: SXC/Arquivo
Metalurgia é um dos setores da indústria que acumulam queda ao longo do ano. Crédito: SXC/Arquivo

Por omissão ou por erro de política pública que a direcionasse para caminhos mais assertivos, a exemplo de países que hoje se encontram bem a frente do Brasil, o certo é que a indústria brasileira vem sofrendo um processo acelerado de “desidratação”.

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O seu encolhimento frente aos demais setores da economia tem acontecido de forma ainda mais intensa nos últimos dez anos. Mas o mais preocupante é que, nesse processo, também vem caindo a participação de indústrias que fazem uso mais intensivo de tecnologias e novos conhecimentos. Em resumo, a nossa indústria sofre um processo duplo de desidratação: quantitativo e qualitativo.

Em 2010, o PIB industrial brasileiro representava 2,68% do total do PIB industrial mundial. Percentual de participação que cai para apenas 1,83% em 2018. As políticas - ou não políticas -, sobretudo no segundo governo de Lula, e na sequência desastrosa do governo Dilma ajudaram no desmantelamento da estrutura industrial brasileira.

No caminho inverso, a China, o maior destino da nossa produção de commodities, isto é, de produtos com menor valor agregado, nesse mesmo período passou sua participação na indústria mundial de 18% para 25%.

A redução da fatia do setor industrial no PIB também aconteceu no Espírito Santo. Atingiu o auge em 2007, com a participação de 39%, caindo para 24% em 2016. Mas foi no subsetor de transformação industrial, aquele com maior capacidade de agregação de valor, que a queda aconteceu com maior intensidade, passando de 20% em 2003 para 12% em 2016. E se analisarmos indicadores mais atuais da produção industrial capixaba vamos constatar que a tendência ainda é de declínio.

Um reflexo desse processo é a “primarização” da pauta de exportações, cada vez mais representada por produtos com menor grau de processamento industrial e que constituem bases de grandes cadeias produtivas globais.

Porém, mesmo que utilizando tecnologias e conhecimentos avançados, que lhes garantem níveis de produtividade elevados e, consequentemente, competitividade, casos do agronegócio em escala e da extrativa mineral, ou mesmo de celulose, esses produtos suprem elos produtivos de maior complexidade e sofisticação fora das nossas fronteiras.

Afinal, diante desse cenário, o que deverá ser feito? Primeiramente, não há como avançar sem que se promova uma verdadeira transformação na estrutura industrial brasileira. Ou seja, o setor industrial tem que voltar a ser o motor propulsor da economia.

E para que isso aconteça não há outra estratégia senão se embasando em conhecimentos avançados e inovação. É a forma de se agregar valor e complexidade econômica aos produtos e serviços, e também gerar oportunidades de postos de trabalho com maior grau de exigências em termos de qualificação e sofisticação.

 

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