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Inteligência artificial

Por que o corretor de imóveis nunca sairá de cena

O mercado imobiliário será cada vez mais digital, mas permanecerá sempre baseado em confiança, relacionamento e experiência presencial

Publicado em 13 de Julho de 2026 às 12:01

Públicado em 

13 jul 2026 às 12:01
Mercado Imobiliário

Colunista

Mercado Imobiliário

Como a IA pode ser incluída no mercado imobiliário e gerar benefícios aos corretores de imóveis
Bem ao contrário do que se pensava, a tecnologia não elimina, ela apenas exige novas competências Shutterstock

* Por João Teodoro da Silva


O avanço da tecnologia trouxe consigo uma onda de previsões pessimistas quanto ao futuro da profissão de Corretor de Imóveis. Institutos de pesquisa e universidades em todo o mundo chegaram a afirmar que esses profissionais seriam substituídos por sistemas digitais. 


A realidade, no entanto, mostrou-se bem diferente. No Brasil, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) registra mais de 730 mil inscritos, número que cresce a cada dia. Bem ao contrário do que se pensava, a tecnologia não elimina, ela apenas exige novas competências.


A digitalização, certamente, implicou mudanças em praticamente todas as etapas da comercialização imobiliária. Hoje, é normal que o comprador faça tour virtual pelo imóvel e por sua vizinhança em 360 graus e alta resolução. Anteriormente, todo esse trabalho era presencial e exigia muitas visitas. 


A mudança de paradigma elevou o nível da profissão. Corretor que domina ferramentas digitais consegue oferecer uma experiência mais completa, reduzir o tempo de negociação, aumentar sua produtividade e tornar-se muito mais indispensável.


O comportamento do comprador também mudou. Quando chega ao Corretor, ele já pesquisou preços, comparou opções, analisou mapas da região e até verificou índices de segurança e infraestrutura do bairro. 


Esse novo perfil exige dos profissionais uma postura mais consultiva, capaz de interpretar necessidades, esclarecer dúvidas técnicas e transmitir segurança durante a negociação. A compra de um imóvel, contudo, que se configura quase sempre no maior negócio da vida, segue sendo algo extremamente emocional e baseada na confiança.


É nesse ponto que a presença humana é insubstituível. Não há tecnologia que possa reproduzir totalmente a empatia e a capacidade negocial de um bom profissional. Por outro ângulo, há aspectos que os recursos digitais não conseguem expressar. 


Ventilação e amplitude do ambiente, incidência de luz natural, nível de ruído e atmosfera da vizinhança são elementos que só podem ser sentidos presencialmente. Não podem ser supridos por tour virtual que, embora capaz de economizar tempo, é apenas etapa preparatória da visita presencial.


Com a inteligência artificial não é diferente. Ela automatiza contatos, porém empatia, sensação do perfil do cliente e confiança são habilidades humanas que não podem ser supridas pela tecnologia. 


Pesquisa da consultoria McKinsey, publicada em 2023, afirma que profissões que exigem elevado grau de interação humana e negociação complexa não admitem automação completa. Isso porque dependem de fatores subjetivos e emocionais. O Corretor de Imóveis, portanto, não apenas sobreviveu à revolução digital, mas ganhou relevância estratégica.


O mercado imobiliário será cada vez mais digital, mas permanecerá sempre baseado em confiança, relacionamento e experiência presencial. A vantagem competitiva pertencerá a quem conseguir integrar tecnologia e habilidades humanas. 


A profissão, ao contrário de desaparecer, está se reinventando. Contudo o Corretor de Imóveis do século XXI não é apenas expert em ferramentas digitais, ele é, sobretudo, um consultor de confiança. A ameaça virou oportunidade e deu relevância à pessoalidade, tornando-a indispensável ao mercado imobiliário.

* João Teodoro da Silva é presidente do Sistema Cofeci-Creci.

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