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Crônica

Vamos em frente

Arruma a cama e olha para tudo e cada coisa que a pandemia veio te ensinar; e se cuida, para de beber refrigerante de cola! Para reclamar da falta, olha para o que sobra. Aceita, assume, e vambora!

Publicado em 30 de Agosto de 2020 às 10:00

Públicado em 

30 ago 2020 às 10:00
Maria Sanz

Colunista

Maria Sanz

Mulher feliz; coluna de Maria Sanz
"E se a gente parasse de falar do que falta e olhasse para o que sobra?" Crédito: Freepik
Nota de abertura: escrevo este texto no dia 24/08, Dia do Artista. Artista é nada além da pessoa que tira as emoções para dançar –– tanto as boas quanto as más –– e depois, como consequência, convida o outro a fazer o mesmo. Então hoje, para honrar meu papel no mundo, eu tiro meus erros para essa dança, e proponho:
E se a gente parasse de falar do que falta e olhasse para o que sobra?
E se parássemos de reclamar e arregaçássemos as mangas?
E se tivéssemos condição de honrar a todos que nos ensinaram sobre a vida, ao invés de sonhar com a perfeição deles?
Ideal só a ficção.
Parênteses, eu sei, você me critica porque o meu “lugar de fala” não é o ideal para esse tipo de discurso. Sou hétero, branca, bonitinha, bem nascida, metida a escritora e, segundo o preconceito que me julga, não sei de coisa nenhuma.
Mas ainda assim, além de não poder, não gosto de reclamar.
*A não ser do amor romântico... Ah, sobre os dramas amorosos resmungo mesmo. Choro, misturo com emoção, faço lama, crio lendas, e tanto poetizo quanto dramatizo até o caroço! Mas esse é outro assunto.
Voltando, eu não gosto de reclamar, e também não gosto de gente que reclama. A razão é muito simples: toda forma de reclamação é metade preguiça, e a outra, ignorância.
São 20:20, ora essa! Não dá para ficar sendo um idealista sobre si mesmo, e sobre o outro menos ainda, pelo resto da vida. Não dá mais para viver apontando os culpados do próprio fracasso, seja a política, a sociedade, o sistema, o sócio, o companheiro, a mãe, o pai, o país...não dá.
Falando nisso, lembrei de uma frase cunhada acidentalmente pela minha comadre certa vez que sua filha, na época um bebê de dez meses de idade, já estava andando pela casa, mas queria mamar. Ela veio do fundo da sala de calça cor-de-rosa, coordenando os passinhos, um depois do outro, já quase correndo, de braços estendidos, olhinhos dengosos, gemendo “mamá”. Ao que minha comadre muito naturalmente reagiu dizendo: “filha, escolhe: ou mama, ou anda!”.
Na hora dei uma risada, acho até que disse “tadinha”, mas depois fiquei pensando...escolhas. Elas sempre nos alcançam. De modo que quanto antes formos orientados para a realidade, melhor. Assim, sem drama.
Parece bobagem, mas a moral desse episódio segue valendo: não dá para ficar chorando, reclamando e fazendo dengo quando se tem perna, força e equilíbrio para explorar o mundo (ou a casa inteira) e chegar aonde mais interessar.
“Vai!” – a vida pede: se adianta.
Então, o que mais se pode querer quando a gente descobre o que quer fazer?
Aceita. Aceita e assume a responsabilidade de viver uma vida autêntica, ou seja, aquela na qual o sujeito sabe aonde quer ir, e desenvolve autonomia para chegar.
Pensa comigo: essa livre demanda de “colo e leite quentinho”, aprovação, atenção, etc., nos deixou dependentes desse vínculo conexão-e-recompensa, portanto viciados em ações e olhares que nos aprovavam. Acontece que isso –– com a melhor das intenções, sem querer, nos nivela por baixo. Nos tornamos incapazes de nos confrontarmos com nossas sombras e, pior, com aquele que realmente somos.
E assim, camuflando tudo quanto pudermos, desenvolvemos uma “causa” para reclamar. Vestimos o papel do “mártir” e saímos semeando nossas lamúrias e acusações por onde vamos. (Esperando colher o que mesmo?).
Chega de reclamar.
Arruma a cama e olha para tudo e cada coisa que a pandemia veio te ensinar; e se cuida, para de beber refrigerante de cola! Para reclamar da falta, olha para o que sobra. Aceita, assume, e vambora!

Maria Sanz

É artista e escritora, e como observadora do cotidiano, usa toda sua essência criativa na busca de entender a si mesma e o outro. É usuária das medicinas da palavra, da música, das cores e da dança

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