Por exemplo, por que a grande maioria das pessoas só come pipoca no cinema? Não é esquisito? Por que não servem pipoca nos aviões? É um alimento barato, engana o estômago, rápido de se fazer... mas não. Lugar de comer pipoca é no cinema. Nem em casa vendo televisão e muito menos nas praias. Por que não encontramos pipoca nas praias? Monopólio das oferendas do candomblé? Vai saber...
Por que políticos importantes deste país não conseguem curar uma gripe que seja em qualquer hospital que não o Albert Einstein? Será que só os médicos de lá sabem o segredo das entranhas de suas excelências? Espirrou, infartou ou pintou um castigo de Deus, o jatinho da FAB leva as cargas pesadas para São Paulo. Depois mandam o boleto pra gente pagar.
Mas privilégios existem, fazer o quê? Você, que mora aqui na Capital, está cansado de ver um fenômeno sem igual no resto do país. Alguém por aí, certamente uma genial figura terraplanar, garantiu aos nossos ciclistas que eles são... pedestres. E todos acreditaram! E querem que nosso carro espere eles atravessarem na faixa, pedalando. Outro dia um deles mostrou para mim aquele dedo mal-educado, quando lhe neguei prioridade. Tomara que chova.
Olha só que maravilha. Anote na agenda de seu iPhone três lugares onde você poderá degustar deliciosas ostras frescas: Belo Horizonte, Goiânia e São Paulo. Todas capitais longe do mar. Longe do mar, mas perto da boa mesa. Vitória está fora deste banquete.
E nas nossas padarias você não vai encontrar uma empadinha de camarão que seja. Vitória parece um acidente geográfico único em todo mundo: é uma Ilha cercada de galinheiros por todos os lados. Aqui a gente só encontra empadas de frango.
Nossas autoridades vivem repetindo que viaturas policiais nas esquinas aumentam a sensação de segurança do cidadão. Mas quem garante mesmo sensação de segurança por aqui é um comprimido de Imosec. Se eu fosse acreditar nesse papo oficial, poderia jogar sinuca à noite no Bairro da Penha, caminhar à tardinha no calçadão atrás do Shopping Vitória, esperar um ônibus, depois das dez, em qualquer abrigo da cidade e voltar a pé, depois da balada, da Rua da Lama. Na maior tranquilidade. Ouvindo um bolero no iPhone. Tá doido?
E o que será de todas as nossas crianças a partir do momento em que elas começam a andar? É quando as mães já podem levá-las às festinhas de aniversário. Mas lá esses adoráveis pimpolhos irão descobrir que as maiores diversões da vida são apenas três: pula-pula, escorrega e piscina de bolinhas. Nada mais do que isso. Meu Deus, alguém faça alguma coisa por essas criancinhas! No segundo mês pulando, escorregando e se afogando em bolas, as crianças nunca mais vão nos perdoar. E, quando crescerem e ganharem uma bike, vão achar que são pedestres.