Ao fazer esta reflexão, não me pairou dúvida de que a pandemia da Covid-19 contribuiu fortemente para o esfriamento das relações sociais de muita gente. O isolamento social – o “fique em casa” –, por certo, foi fator determinante para o esmorecimento dessa forma tão humana e natural de aproximação das pessoas e de convivência social.
A tecnologia, por sua vez, ao proporcionar uma gama de inovações e facilidades que levaram as pessoas a sair menos de casa (e-commerce, trabalho remoto etc.) foi o outro grande fator que provocou diminuição do convívio social.
Percebo isso a partir do que vem acontecendo com os meus relacionamentos e com as minhas amizades, que sempre procurei cultivar e preservar.
É certo que o considerável número de mortes e/ou sequelas decorrentes da pandemia, como o próprio envelhecimento, também contribuíram nesse processo de diminuição dos círculos de amizade, mormente nas idades mais avançadas. Apesar disso, não é difícil constatar que depois de transcorridos mais de dois anos do início da pandemia, ainda persiste um menor relacionamento entre as pessoas. Principalmente de forma presencial.
Penso, no entanto, que o isolamento social, se por um lado contribuiu para o esfriamento de muitas amizades, por outro, colocou luzes sobre a importância da preservação da vida em sociedade. Haja vista que esse esfriamento vem se mostrando tão percebido pela sociedade a ponto de vermos uma proliferação de mensagens nas redes sociais enfatizando a importância das amizades.
Nestes tempos em que o mundo vem mudando tão rapidamente, é preciso que a sociedade esteja atenta para perceber até que ponto essas mudanças possam se tornar prejudiciais ao convívio social.
Sendo a vida em sociedade uma característica da própria natureza humana, o seu esmorecimento, ao provocar uma descontinuidade do que vem acontecendo ao longo dos séculos, pode implicar num grande retrocesso. Um retrocesso que pode ensejar uma diminuição da solidariedade humana, perda na qualidade de vida e aumento das desigualdades sociais.
Se esse processo de esfriamento do convívio social vier a prosperar, e não houver por parte da sociedade uma reação visando contê-lo, teremos muito em breve consequências negativas imponderáveis.
É de se esperar que a humanidade não se deixe levar por mudanças que venham a se contrapor aos avanços já conquistados na vida em sociedade.
A aceitação de mudanças que possam prejudicar o convívio social pode se transformar num grande retrocesso para a sociedade.