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Vitor Vogas

Linhares tira de Vila Velha o 3º lugar em arrecadação de ICMS

Pela primeira vez na história, município do Norte do Estado sobe ao pódio na divisão desses recursos, graças à atração de mais empresas nos últimos anos. Na prática, é mais dinheiro em caixa

Publicado em 12 de Agosto de 2019 às 11:30

Públicado em 

12 ago 2019 às 11:30
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Pela primeira vez na história, Linhares ocupa, em 2019, um lugar no pódio da arrecadação de ICMS no Espírito Santo. Vindo em um crescente desde 2016, a cidade polo da região Norte do Estado passou a receber, neste ano, a terceira maior fatia do bolo do ICMS, dividido pelo governo estadual entre os 78 municípios capixabas.
Em 2019, Linhares está a receber 6,82% de tudo o que o Estado repassa em ICMS para o conjunto dos municípios capixabas. A cidade governada pelo prefeito Guerino Zanon (MDB) só fica atrás de duas cidades metropolitanas: Serra, detentora da maior fatia hoje (14,52%), e Vitória (13,37%).
Até o ano passado, Linhares ocupava a 4ª colocação, atrás de Vila Velha. Em 2019, a cidade do Norte tomou a posição da cidade comandada por Max Filho (PSDB), cuja quota-parte ficou em 6,49%.
A principal explicação para essa evolução de Linhares no ranking é o crescimento da produção industrial observado na cidade nos últimos anos, devido à instalação de novas empresas, destacadamente nas áreas alimentícia e metalmecânica. Isso porque a quota de cada município no rateio do ICMS é calculada, acima de tudo, em função da respectiva atividade econômica.
O prefeito Guerino Zanon explica a transformação do perfil da economia linharense nas últimas duas décadas: “Historicamente, na partilha do ICMS, sempre ficamos atrás das quatro cidades da Grande Vitória e também de Cachoeiro e Aracruz. Em nosso primeiro mandato, de 1997 ao ano 2000, tivemos a visão de que precisávamos melhorar nosso parque industrial e, com isso, a prestação de serviços. Até então Linhares era muito dependente da produção agrícola. Em 1998, com outros 27 municípios [todos ao norte do Rio Doce], ingressamos na área da Sudene. Desde então, temos percorrido o país mostrando as vantagens de se instalar no Espírito Santo”.
Tem dado certo. Os números o provam:
“No ano 2000, nosso índice de participação era de 3,23% do bolo de ICMS do Estado. Em 20 anos, dobramos a nossa participação. E esse valor dobrou em função do nosso parque industrial”, conclui Guerino.
Se a causa é a atração de mais empresas, a consequência é mais dinheiro no caixa da prefeitura. “A cidade tem se preparado para atender cada vez melhor os nos cidadãos, com ampliação de serviços e entrega de obras. Hoje Linhares é muito bem servida, com 34 unidades de saúde, educação de boa qualidade e uma rede muito extensa de serviços sociais”, afirma o prefeito, na cadeira pelo quarto mandato (1997-2000, 2001-2004, 2009-2012 e desde 2017).
Mas há outra consequência relevante: a diminuição estratégica da dependência de receitas resultantes da produção de petróleo. “Essa está sendo a nossa luta. No primeiro semestre deste ano, o valor que recebemos pela nossa participação no ICMS superou o do repasse de royalties. Isso pela primeira vez desde 1999, ano em que Linhares passou a receber participações especiais pela extração de petróleo”, conta Guerino.
Até o encerramento de junho, o município recebeu R$ 76,3 milhões em ICMS, contra R$ 52,1 milhões em royalties.
Esperamos que essa injeção extra de recursos de fato se converta em benefícios para a população da cidade.
Esclarecimento
Na primeira versão deste texto, o prefeito Guerino Zanon afirmava que a quota-parte de Linhares na divisão do ICMS em 2019 seria de 6,49%, porém o número da revista "Finanças dos Municípios Capixabas", usado como base para esta coluna, é 6,82%. Por isso, o primeiro número foi suprimido do texto.  

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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