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"Tive fé em Deus e não temi a morte"

Vítima da Covid, vereador campeão de votos em Vitória contra o drama de ter ficado internado no hospital por quase duas semanas a poucos dias da eleição

Publicado em 17 de Novembro de 2020 às 16:46

Públicado em 

17 nov 2020 às 16:46
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Campeão de votos (7.213)  para a Câmara de Vitória, o vereador Denninho Silva (Cidadania) foi do drama à vitória em poucos dias. Vítima da Covid, ele ficou internado por quase duas semanas no hospital, em razão de diversas outras complicações de saúde acumuladas, precisou de suplementação de oxigênio, tratamento intensivo com antibióticos e por pouco não morreu. Recuperado, ainda teve tempo para retomar a campanha na última semana, indo para as ruas de madrugada, como sempre faz, e ter contato com o eleitor o dia todo, principalmente na região da Grande Goiabeiras, sua base eleitoral.
Agora, o parlamentar, que vai para o seu segundo mandato consecutivo no Legislativo da Capital, curte a vitória com sua mulher, Adriana, e a filha  Ana Clara, de 2 anos, e começa a planejar sua atuação para os próximos quatro anos. Denninho, de 37 anos, paraibano de nascimento, conta com exclusividade para a coluna a emoção de ser o vereador mais votado de Vitória e o drama que viveu dias antes da eleição.

Você foi o vereador mais votado de Vitória, poucos dias depois de deixar o hospital por ter contraído um quadro grave de Covid. Chegou a temer a morte?

Como cristão, católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida, não cheguei a temer a morte, pois acredito em um Deus poderoso e minha fé é um dos pilares da minha vida. Sempre que algum pensamento negativo pairava, pedia a intercessão de Nossa Senhora pela minha vida e da minha família, me livrando daquele momento de aflição.

Esta eleição teve um sentido especial para você?

Sem dúvida alguma. Com 50 dias de eleição, minha saúde me possibilitou fazer pouco mais de 10 dias de fato de campanha e agendas mais intensas. O ritmo acelerado de trabalho nos últimos quatro anos fez com que minha saúde chegasse comprometida nessa eleição. Tenho convicção de que preciso priorizar minha saúde, pois tenho uma família para cuidar, além de muita vontade de trabalhar e seguir avançando no compromisso que fizemos com a população.

Muitos dizem que você faz um trabalho meramente assistencialista na região da Grande Goiabeiras, sua base eleitoral. É este o segredo para você ter tantos votos?

Já estou acostumado com esse tipo de comentário, natural de quem desconhece nossa atuação. Em 2017, fui o vereador campeão de projetos de lei. Após duas décadas, fui o político que teve coragem de votar contra o aumento do valor da passagem de ônibus. Apresentei projeto de redução do número de vereadores, o que levaria uma economia de mais de R$ 20 milhões em quatro anos. Sou um político que a população encontra nas ruas de segunda a segunda, durante os 12 meses do ano. Nesses quase quatro anos de mandato, em três deles abri mão dos 30 dias de férias que todos os políticos têm direito, e em 2020 tirei duas semanas apenas de descanso com minha família. Meu telefone é público e está em todas minhas publicações. Ao longo de todo o mandato, foram raros os dias que não publiquei nossas ações em redes sociais prestando contas do trabalho desenvolvido. Acredito que o segredo para tantos votos é se colocar à disposição e honrar a confiança depositada pelo eleitor.

Apesar da sua vitória, seu partido, o Cidadania, não conseguiu eleger Gandini, apoiado pelo prefeito Luciano Rezende. Na sua opinião, quais foram as causas dessa derrota?

Cada eleição tem a sua particularidade. Acredito que a pulverização de candidatos tenha sido um fator de repartição de votos. A questão de saúde também é um fator a ser considerado. Vou exemplificar a situação citando a situação de saúde de três importantes apoiadores dessa campanha. O vereador Leonil foi hospitalizado faltando duas semanas para a eleição. Eu e o vereador Dalto Neves estivemos na mesma situação, ficando fora praticamente os 15 últimos dias de campanha. O Gandini em situação semelhante. A diferença [da votação de Gandini] foi de 1.201 votos para o segundo colocado [João Coser]. Ou seja, com pouco mais de 600 votos, o Gandini iria para o segundo turno, que é uma eleição completamente diferente. Acredito que, sozinho, se estivesse com minha saúde total nessa campanha, eu teria ampliado minha votação em pelo menos 50% e ajudaria muito o candidato Gandini.

O Cidadania não decidiu quem vai apoiar no segundo turno. Quem será o seu candidato?

Preciso dialogar com o prefeito Luciano Rezende, com o Gandini e meu grupo político. O Cidadania sempre me deu muita liberdade para me posicionar politicamente e assim espero que seja mantida a postura da nossa Executiva. Quero ouvir também o senador Marcos do Val, uma pessoa que teve meu apoio e tem nosso profundo respeito e admiração. Vou dialogar com Erick Musso, presidente da Assembleia Legislativa, um amigo desde quando éramos servidores naquela Casa de Leis. E, sobretudo, devo conversar com o deputado Euclério Sampaio, pessoa com quem trabalhei 16 anos e tenho profundo respeito, e com o governador Renato Casagrande, um amigo e conselheiro. Posso apoiar um palanque ou permanecer na neutralidade. Vamos avaliar nos próximos dias.

Qual sua opinião sobre Pazolini e Coser, os dois candidatos que estão no segundo turno?

Acredito que são candidatos de polos antagônicos no campo ideológico. Claro que as propostas de cada candidato são relevantes para decisão do eleitor. Mas me parece que o voto para prefeito foi decidido pelas características pessoais de cada candidato, anteriores à eleição. Pazolini é um jovem promissor, que ganhou visibilidade através de sua relevante atuação no serviço público como delegado quando ocupava a DPCA, e nos últimos dois anos como um combativo deputado estadual. João é um ex-prefeito da Capital que, mesmo com todo desgaste de seu partido, o PT, mostrou que tem um capital político pessoal que ultrapassa a barreira partidária. É o que posso falar sobre os dois.

Você é candidato a deputado em 2022?

Meu compromisso com meu eleitor foi seguir trabalhando dia e noite para honrar a confiança depositada. O próximo prefeito precisará de uma ótima relação com o Legislativo e com vereadores experientes para liderarem juntos, Executivo e Legislativo, o cenário pós-pandemia e a retomada do desenvolvimento na Capital. Vamos estudar até lá onde poderemos ajudar mais a cidade de Vitória.

Pretende um dia ser candidato a prefeito?

Sim. Acredito que todo político tenha a vontade de ser prefeito da cidade que reside, ama e onde cuida da sua família.

Ideologicamente, como você se define?

Essa pergunta é frequente. Sempre respondo que eu não sou direita ou esquerda. Eu sou comunidade. Eu sou o morador de periferia, sou o branco, o negro, o índio, o pardo, os gays, as lésbicas, sou o carnaval, as lideranças católicas, evangélicas e de todas denominações, sou o rico e sou o pobre, sou o taxista e motorista de aplicativo, sou o pequeno e grande empresário, enfim, eu sou todos aqueles que precisam do apoio e interlocução do político. Afinal, nossos salários são pagos por todos, sem distinção. Um político deve servir a Deus e a toda população que dele precisa.

Qual será a prioridade do seu segundo mandato?

São várias. Mas cuidar das pessoas será a maior delas. Acredito que a pandemia deixou claro que precisamos intensificar a atuação na área da Saúde. Com o agravante da crise econômica e seus reflexos no campo social, a rede de proteção da assistência terá um olhar especial em nossas cobranças e fiscalizações, pois tem reflexos imediatos também na Segurança Pública, uma área que hoje é considerada prioritária também pela população. A educação é uma pauta constante e que estará em nosso radar diário por melhorias. Um ponto fundamental é pensarmos em estratégias junto ao Poder Executivo para retomada do desenvolvimento econômico, desburocratização e mudança da matriz econômica da Capital, pois, sem ampliarmos as receitas da cidade, não avançaremos em nenhuma dessas áreas. Alguns setores como o cultural e de produção de eventos respiram com 'balão de oxigênio', precisamos nesse cenário de retomada sacudir a cidade com atividades culturais e apoiar os produtores de eventos. Os servidores públicos da Capital amargam perdas históricas. Precisamos colocar esse tema na mesa e tão logo a receita apresente evolução que esteja dentro da responsabilidade fiscal, possamos cobrar do Executivo a reposição dessas perdas.

É melhor ser vereador da oposição ou da situação?

É melhor ser um vereador que lute constantemente pela melhoria da vida da população. Eu tenho esse perfil de político. Onde estiver o interesse público, estarei caminhando lado a lado.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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