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Desenvolvimento

A CNI e a construção de uma nova política industrial para o país

Nova diretoria da Confederação Nacional da Indústria, com mandato até 2027, assume num momento em que o Brasil também retoma uma política industrial

Públicado em 

29 out 2023 às 01:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

O desenvolvimento da indústria de um país está diretamente ligado ao desenvolvimento do próprio país como nação, como temos demonstrado em nossos artigos. Os países mais ricos e prósperos, com mais qualidade de vida para a sua população, são justamente os mais industrializados.
No atual cenário internacional, depois da pandemia e com as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, as grandes economias do mundo estão voltando o foco para as suas políticas industriais, e os países que haviam deixado de lado uma estratégia para a indústria passam a adotá-la como uma necessidade imperiosa: a globalização dos anos 90 vive um momento de inflexão.
As nações mais desenvolvidas, que haviam descentralizado a produção com plantas industriais em países asiáticos, por exemplo, estão revendo os seus parceiros estratégicos na produção em cadeia global, com a priorização de ativos como estabilidade geopolítica e opção de energia limpa. Como sabemos, o Brasil preenche os dois requisitos e pode se beneficiar desse cenário.
Aqui no Brasil, a Confederação Nacional da Indústria, uma instituição de 85 anos, fundada em 1938, tem se notabilizado na formulação de estudos, análises e pesquisas, para promover o diálogo fundamentado em dados e colaborar assim para a elaboração de uma estratégia de desenvolvimento da indústria e do país. Nesse contexto, na próxima terça-feira, em Brasília, assume a nova diretoria na CNI, presidida pelo industrial Ricardo Alban, da Bahia.
A nova diretoria, com mandato até 2027, assume num momento em que o Brasil também retoma uma política industrial, com a recriação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, pasta sob o comando do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o que por si só já demonstra a importância que a área ganhou no governo federal.
A CNI tem colaborado com a construção de uma nova política industrial, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), que por sinal voltou a se reunir neste ano após sete anos desativado – o que indica o período em que andamos de lado e a importância de retomarmos agora a tendência mundial de implantar uma política industrial para o país.
O tempo que passamos patinando nesse debate custou caro. No início dos anos 80, a indústria de transformação respondia por 35% do PIB brasileiro. No ano passado, fechou representando 12,9%, ou um terço do que era, mas finalmente viramos a página e voltamos ao jogo. O Brasil hoje tem a política industrial como prioridade.
Indústria
O Brasil hoje tem a política industrial como prioridade Crédito: CNI/Divulgação
A atual agenda macro da neoindustrialização, termo que está sendo adotado para este novo momento, passa por 6 missões estabelecidas pelo CNDI, que são: 1) Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais; 2) Complexo econômico industrial da saúde; 3) Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e bem-estar nas cidades; 4) Transformação digital da indústria para aumentar a produtividade; 5) Bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energética; 6) Tecnologia de interesse para a soberania e defesa nacional, além de dois outros Grupos de Trabalho (GT) que foram criados para tratar da redução do Custo Brasil e de financiamentos.
Os trabalhos tanto nas Missões como nos GTs já começaram. A meta é, ao longo de novembro, ter maior clareza nas ações necessárias para de fato retomar um caminho para dinamizar e dar impulso à indústria nacional.
Nos trabalhos sobre redução do Custo Brasil, por exemplo, o CNDI listou 17 projetos a serem executados nos próximos 24 meses, tais como: reduzir o custo de financiamento de infraestrutura; racionalizar os encargos setoriais incidentes sobre a tarifa de energia; remover barreiras à navegação hidroviária; racionalizar taxas portuárias; aprimorar o sistema de garantias para empréstimos; infraestrutura para conectividade; prevenção de litígios tributários; isonomia tributária para compras governamentais e aperfeiçoamento da regulação referente a logística reversa, entre outros.
O processo de industrialização do Brasil começou no governo Getúlio Vargas, a partir de 1930, com a criação de empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Vale do Rio Doce, a Petrobras e o BNDES, e desde o início desse processo a CNI tem contribuído ativamente para a formulação e implantação de políticas para o desenvolvimento do país.
No Espírito Santo, temos dois capixabas participando da nova diretoria da CNI e contribuindo com a construção da política industrial: a presidente da Findes, Cris Samorini, que assume a Diretoria Financeira da Confederação Nacional da Indústria, e eu, que assumo uma vice-presidência da CNI, respondendo também pela coordenação do COPIN, que é o Conselho de Política Industrial e Tecnologia da CNI, onde justamente esses temas serão debatidos.
Estamos otimistas com o início da nova gestão na CNI e dos trabalhos no Ministério da Indústria. Os grupos de trabalho, além da participação do setor privado e de ministérios envolvidos com os respectivos temas, contarão também com o BNDES e o Finep, agência pública que financia a inovação, desde a pesquisa básica até a preparação do produto para o mercado.
Esperamos que a experiência do governo federal, em parceria com o setor industrial na formulação de políticas para o país, possa também ter reflexos nos Estados, especialmente no Espírito Santo, para que também possamos ter uma política industrial regionalizada, de acordo com o nosso potencial. Temos boas perspectivas e boas oportunidades de geração de riqueza para o país e para o Estado, resta agora trabalhar e saber aproveitá-las.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Política Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios.

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