Desde o início do século XX o homem convive com plásticos, que estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Os plásticos são originários de polímeros, que são produzidos a partir de derivados do petróleo. Descartados no meio ambiente, eles demoram centenas de anos para se degradar. Estima-se que, anualmente, 11 toneladas de lixo plástico chegam aos oceanos. Fotos de vida marinha “atravessadas’’ por diferentes formas plásticas têm sido divulgadas com frequência, denunciando nosso desleixo.
Recentemente, a atenção da ciência tem sido despertada para os microplásticos, como são conhecidos os fragmentos menores que 5 mm, que são liberados no meio ambiente o tempo todo. Estas partículas não são biodegradáveis e se fragmentam em partículas menores até nanopartículas de plástico de 10 a 1000 mm. Pesquisadores de Nova York publicaram, há alguns anos, na "Frontiers in Chemistry", que 93% das garrafas plásticas de água, provenientes de 9 países diferentes, continham nanoplásticos. A publicação "Food Additives & Contaminants" de 2014 relatou o achado de nanoplásticos em 24 diferentes marcas de cervejas da Alemanha. Um ingrediente a mais na Oktoberfest.
Pesquisadores da Califórnia publicaram, na prestigiada "Scientific Reports da Nature", que 25% dos frutos do mar comercializados tinham resíduos de microplásticos. Um tempero inesperado na “clam chowder” deliciosa servida na região.
Nos últimos anos, novas pesquisas têm detectado nanoplásticos no corpo humano. Melissa Suran, no JAMA (Assoc. Médica Americana) de 17 agosto recente, descreve o achado de 12 diferentes variedades de nanoplásticos em 11 de 13 pulmões submetidos a cirurgias de câncer. Polietileno (PET) foi o achado mais comum. Estes fragmentos muito provavelmente foram inalados. Além de inalar nanoplásticos, nós humanos os ingerimos. Nos intestinos, essas partículas passam à corrente sanguínea.
Em estudo publicado neste ano no "Environmental International", pesquisadores acharam polímeros entre 700 nm e 500.000 nm em amostras de sangue de 17 doadores saudáveis entre 22 pesquisados. Metade das amostras eram PET. A concentração média de partículas de plástico era de 1.6 micrograma/mL de sangue. Qual o impacto destes achados na nossa saúde? Não sabemos! Um estudo publicado no ano passado na "Environmental Science & Technology" achou que a concentração de nanoplásticos era muito maior nas fezes de pessoas com doenças intestinais inflamatórias do que nas fezes de pessoas saudáveis.
Estima-se que os seres humanos tenham produzido 8,3 bilhões de toneladas métricas de material plástico desde 1950. Na trajetória atual, cerca de 12,5 bilhões adicionais serão descartados no meio ambiente até 2050. É muito lixo plástico!