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Imunização

'Pensem nas criancinhas': a tragédia da vacinação infantil no mundo

O desaparecimento de poliomielite, da difteria, entre outras doenças, por décadas, fez cessar a necessidade de busca de proteção. Vacinas são vítimas de seu próprio sucesso

Publicado em 28 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

28 jul 2022 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Creio ter sido essa a frase proferida por Edson Arantes do Nascimento em 19 de novembro de 1969, quando venceu Andrada, goleiro do Vasco, no milésimo gol de sua carreira. Como acredito que continue preocupado com a saúde infantil, o Rei deve estar apavorado com as recentes declarações da Unicef sobre a atual situação da vacinação no mundo.
Estamos vivendo a pior situação dos últimos 30 anos em vacinação infantil. As vidas de milhões de crianças estão em risco. Apenas 81% das crianças no planeta receberam as três doses de proteção contra tétano, difteria e coqueluche. As coberturas de poliomielite e sarampo também despencaram. Calcula-se que 25 milhões de crianças não receberam vacinações básicas. O número estimado de crianças que não receberam nenhuma vacina, chamadas de crianças dose-zero, subiu de 13 milhões em 2019 para 18 milhões neste ano. Não deve ser coincidência que esse número inclua a metade do total de crianças que foi a óbito abaixo dos cinco anos de idade.
O Brasil, país de tradição vacinal, com um Programa Nacional de Imunizações que sempre provocou inveja em profissionais de saúde de países mais desenvolvidos, foi atingido em cheio. É um dos dez países do mundo com maior queda de cobertura vacinal. Estima-se que 26% dos bebês brasileiros não tenham recebido nenhuma vacina em 2021, comparados com 13% em 2018.
Havia uma esperança de que a queda de cobertura em 2020, talvez em parte pelo medo da Covid, fechamentos de escolas e lock- downs, seria substituída pela ascensão em 2021. Ledo engano! As coberturas seguem despencando. Existem múltiplas razões para isso. O desaparecimento de poliomielite, da difteria, entre outras doenças, por décadas, fez cessar a necessidade de busca de proteção. Vacinas são vítimas de seu próprio sucesso. Saem da mídia, saem do radar das pessoas. A entrada forte da mulher no mercado de trabalho também dificulta o acesso das famílias às salas de vacina em horário comercial.
Existem outras razões para tal infortúnio. A boa cobertura de antigamente envolvia do padre ao ministro, do presidente ao prefeito, da televisão ao coreto na cidade pequena. Essa unanimidade acabou. A politização de um assunto que deveria ser consensual obviamente atrapalha. Estamos correndo risco de voltar a ver poliomielite, difteria, aumento de tétano. Doenças preveníveis vão ceifar vidas preciosas. Tempos duros adiante!

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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