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Covid-19

5 hábitos da pandemia que já passaram da hora de serem abandonados

Muitos, na verdade, já foram devidamente deixados de lado, mas outros persistem como fantasmas desnecessários

Publicado em 16 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

16 dez 2021 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Limpeza
Limpeza constante e uso de materiais de proteção já fazem parte da rotina dos condomínios desde o ano passado Crédito: Unsplash
Após quase dois anos de pandemia, é necessário refletir sobre alguns hábitos criados durante a crise sanitária, absolutamente ineficazes e sem sentido no que diz respeito à Covid, que poderiam já ter sido abandonados. Muitos, na verdade, já o foram, mas outros persistem como fantasmas desnecessários.

HIGIENIZAÇÃO DE RUAS E CASAS

Eu sempre achei ridículas aquelas imagens de pessoas paramentadas, lavando ruas e escadas com soluções antissépticas, quando o vírus era transmitido por secreções respiratórias. Muitos ganharam dinheiro fazendo “exterminação de vírus ambiente” em casas, após pessoas terem falecido ou adoecido de Covid, como se esses microrganismos pudessem ficar no ar indefinidamente.

MEDIR TEMPERATURA

Vários estabelecimentos e escolas destacavam funcionários para medir a temperatura na entrada de alunos e professores. Imagino que dava uma sensação de segurança, como se não fosse possível usar um antitérmico antes de sair de casa, ou simplesmente ignorando que a imensa maioria começa a transmitir o vírus antes da febre ou simplesmente nunca a apresenta.

SAPATOS NA PORTA

E o que dizer da coleção de sapatos, sandálias e tênis na porta das casas? Incorporamos um hábito japonês, interessante porque deixa as casas mais limpas, mas que tem zero impacto na prevenção de Covid, porque o vírus está no nariz e na orofaringe e não nas solas dos pés e nos calçados... Sem contar que algumas casas e empresas ainda sofisticaram a adoção de tapetes sanitizantes, com soluções as mais diversas para higienizar calçados.

PRODUTOS EM QUARENTENA

Muitos leitores que assinavam jornais ou revistas os deixavam “de molho” no sol às vezes dois ou três dias, para depois conhecer com atraso as notícias.

LIMPEZA DAS COMPRAS

E o que dizer da prática compulsiva da esterilização com álcool das embalagens de compras antes de guardá-las na geladeira ou na despensa? É uma boa prática de higiene limpar o que se guarda na geladeira, mas esta tem zero impacto na prevenção de Covid!
A substituição dos cardápios físicos por QR code em bares e restaurantes segue uma tendência da nova moda digital, mas também nada significa na prevenção de doenças como a Covid, pois a transmissão por superfícies é extremamente rara.
Enfim, o uso de máscaras e a vacina no braço com reforço ágil e a tempo ainda são os instrumentos eficazes para um Natal e ano-novo mais seguros.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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