Foi muito bom rever Pedro de Alcântara com o seu show “Aquarela Capixaba” abrindo a última noite do Vila Velha Jazz & Blues Festival. O festival foi realizado no Parque Estadual da Prainha em três noites e coube a Pedro iniciar as apresentações de sábado. Além de brindar o público com a sua performance sempre impecável, Pedro, fazendo jus ao nome do show, apresentou um repertório de músicas de qualidade compostas por autores do Espírito Santo.
Entre outras, Pedro – acompanhado por Filipe Dias no baixo, Edu Szajnbrum, na bateria, Oziel Netto no trompete e Sanny Santos no violoncelo – apresentou composições de Maurício de Oliveira (“Ardiloso” e “Canção da Paz”), Amaro Lima e Chocolate (“Puxada de Rede”), Carlos Papel (“Sol da Manhã”), Ester Mazzi (“Notícias de Paris”) e Carlos Bernardo (“Deve ter Saci por aí”). De sua autoria, Pedro mostrou “Ilha de Fumaça” e “Penedo”. Encerrou a sequência com o clássico “Devaneio”, de Cariê Lindenberg.
Não é de hoje que Pedro se dedica a divulgar a música capixaba. O CD/DVD “Alma capixaba” contém exclusivamente composições de músicos do Espírito Santo. Nas apresentações que faz fora do Estado e do país, Pedro sempre inclui músicas de nossos compositores. Para ele, “o capixaba tem uma vocação inequívoca para o jazz”, como revelou em recente entrevista.
No show, Pedro não se esqueceu de homenagear o seu amigo e companheiro de muitas apresentações, o saxofonista Antonio Paulo Filho, o “Maestro Toninho”, falecido no último dia 24. Antonio Paulo, de uma família de músicos, foi homenageado com a exibição de “Africaninho”, uma composição de seu pai. Toninho foi o fundador da Fames Jazz Band, da Faculdade de Música do Espírito Santo.
Para o festival, só é possível fazer elogios. Já em sua terceira edição, parece ter vindo para ficar. O local é histórico e maravilhoso, com direito à vista incomparável do Convento da Penha. Muito bem organizado, trouxe atrações internacionais, além de Saulo Simonassi, Luísa Meirelles, Chico Chagas, Orizzonnti e Joabe Reis.
Uma das características mais marcantes de Pedro de Alcântara é o seu alto astral e bom humor. É assim nos seus contatos pessoais, é assim nos shows que apresenta, é assim nas suas declarações públicas. Isto se traduz no seu sorriso franco e até na visão que tem sobre o futuro da música capixaba: ele vê “a cena musical capixaba em evolução” com o aparecimento de “muitos bons músicos e de profissionais e técnicos qualificados”.
Que assim seja, Pedro, para que o Espírito Santo possa continuar contando com a sua alegria, o seu talento e o seu empenho em divulgar a nossa música.