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José Carlos Corrêa

Nossa indignação com as tragédias virou uma ciranda macabra sem fim

Pouco tempo depois da tragédia, ela cairá no esquecimento, até que venha a se repetir

Publicado em 22 de Fevereiro de 2019 às 22:21

Públicado em 

22 fev 2019 às 22:21
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Famílias de mortos no CT do Flamengo aceitam negociar indenizações judicialmente Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
O país ficou de luto com o incêndio que resultou na morte de dez jovens jogadores de futebol do Flamengo, no Rio de Janeiro. E se indignou ao tomar conhecimento que o alojamento em que os atletas dormiam não tinha o alvará do Corpo de Bombeiros. Os bombeiros vistoriaram o Ninho do Urubu em novembro, mas não estiveram no contêiner que servia como dormitório dos jovens.
Esta, contudo, não foi uma tragédia isolada. Basta lembrar da Boate Kiss, do Edifício Wilton Paes de Almeida (no Centro de São Paulo) e do Museu Nacional, só para citar algumas recentes. Em todos elas, nada de alvará regular. Logo após esses incêndios, sepultados os mortos, a ausência de alvarás é esquecida e, tempos depois, tudo se repete.
No calor da indignação, a fiscalização é redobrada. Mas, pouco tempo depois, como escreveu Sérgio Magalhães, “o mundo da fantasia onde tudo funciona: o governo fiscaliza, os bombeiros previnem, as empresas são eficientes, as pessoas obedecem (...) se esvai”. Logo descobrimos que os alojamentos de outros clubes de futebol também não possuem alvará para funcionar. E não só os clubes: também os museus, escolas, creches e outros prédios públicos.
E isto acontece não só no Rio. No Espírito Santo, descobrimos que o Ministério Público ingressou, em agosto do ano passado, com uma Ação Civil Pública exigindo a regularização da situação de 277 prédios públicos irregulares, sendo 172 da Prefeitura de Vitória e 105 do governo do Estado. Entre esses prédios, estão creches, escolas, abrigos, unidades de saúde (PAs e hospitais), biblioteca e prédios administrativos, inclusive a sede da prefeitura.
O prazo dado pela Justiça de 180 dias para que os problemas fossem sanados, que termina em fevereiro, foi solenemente desrespeitado. Prefeitura e governo querem pelo menos um ano para tomar as providências cabíveis. O vereador Mazinho, que preside a Comissão de Obras da Câmara Municipal, considera “grave a morosidade da prefeitura em resolver essas questões”.
As irregularidades não estão apenas nos prédios públicos. Levantamento do Corpo de Bombeiros, de 2017, demonstra que em Vitória há 950 condomínios irregulares e somente 650 com a documentação em dia. Vê-se que a negligência não é privilégio do poder público, mas se entende a todos nós.
Pouco tempo depois da tragédia dos meninos do ninho, ela cairá no esquecimento. E vamos todos descansar até que, como escreveu Magalhães, venham a se repetir “os mesmos tristes périplos”. E, então, uma próxima catástrofe fará reviver a nossa indignação repetindo esta ciranda macabra sem fim. Até quando?
 

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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