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José Carlos Corrêa

Governo do ES deve eleger com sabedoria as prioridades de investimentos

Investir na educação básica é mais inteligente do que investir em uma nova estrutura universitária

Publicado em 13 de Setembro de 2019 às 13:43

Públicado em 

13 set 2019 às 13:43
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Local onde deve ser construído o Portal do Príncipe, em Vitória Crédito: Vitor Jubini
Foi bom saber que o governo do Estado pretende fazer investimentos de R$ 14,6 bilhões nos próximos quatro anos. O Espírito Santo está precisando, e muito, de investimentos em áreas carentes, como infraestrutura, saúde, educação e segurança. A maioria das prioridades listadas no PPA, o Plano Plurianual 2020-2023, é unanimidade incontestável: recuperação da Segunda Ponte, ampliação da Terceira Ponte, Portal do Príncipe, escolas em tempo integral, hospital geral de Cariacica e barragens.
Um projeto, entretanto, destoa dessas unanimidades: o anúncio da criação de uma universidade estadual até 2021. Trata-se de um tema que foi várias vezes derrotado nas eleições e que reaparece requentado sabe-se lá por quais interesses.
Quando se vê o estado de penúria que se encontram as universidades federais – e também algumas gigantes estaduais, como a USP e a Unicamp –, sem verba até para custear bolsas de pesquisadores, é difícil imaginar que razões poderia ter o Estado para criar uma nova estatal que, é claro, criaria cargos e exigiria a alocação de recursos que sairiam sabe-se lá de onde.
Na educação, o foco prioritário do Estado deve estar no ensino médio, que é de sua responsabilidade. E ali o que não faltam são demandas urgentes: cumprir a meta do Plano Nacional de Educação com relação ao ensino integral, melhorar os índices de aproveitamento dos alunos em matemática, escrita e leitura, reduzir a evasão já que metade dos que se matriculam na primeira série não chega ao final do curso, dar atenção à gestão escolar e qualificar e valorizar os educadores.
Quanto ao ensino superior, há outros caminhos de o Estado facilitar o acesso dos alunos de baixa renda à faculdade. O programa “Nossa Bolsa”, que financia o estudo de 1,6 mil alunos por ano, é um deles. Seu custo é muito menor do que seria minimamente o de uma universidade estadual. Dobrar a quantidade de alunos do “Nossa Bolsa”, por exemplo, seria uma forma muito mais inteligente, e econômica, do que investir em uma nova estrutura universitária.
Enquanto o Estado anuncia a nova estatal, o Hospital Infantil, em Vitória, agoniza. Paredes descascando, rede elétrica exposta, vazamentos nas instalações hidráulicas, como mostrado pela Rede Gazeta na semana passada. Sob risco de incêndio, o hospital é vigiado 24 horas por uma equipe dos Bombeiros. “É uma bomba-relógio”, resumiu o presidente do CRM e ex-diretor do hospital.
Se os recursos são escassos, como ensinam os manuais de economia, é preciso eleger com sabedoria as prioridades demandadas pelos capixabas que merecem, ou não, constar do PPA.
 

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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