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José Carlos Corrêa

Fechar supermercados aos domingos inibe o empresariado de investir

O bom senso voltou e a esdrúxula cláusula de fechar as lojas foi excluída da convenção coletiva

Publicado em 28 de Junho de 2019 às 17:17

Públicado em 

28 jun 2019 às 17:17
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Supermercados do Estado podem abrir aos domingos Crédito: Fernando Madeira
Tenho ido aos supermercados aos domingos. E o que vejo? Estacionamentos cheios, intenso movimento no interior das lojas, filas nos caixas. É o domingo que voltou a ser um dia de grandes vendas – e compras - nos supermercados capixabas. Custa a crer que, durante nove anos, por decisão de alguns empresários, era proibido o trabalho nos supermercados do Espírito Santo aos domingos.
A proibição foi incluída na convenção coletiva assinada entre os sindicatos dos trabalhadores e empresários por duas razões principais. No lado dos trabalhadores, a retrógrada mentalidade de sindicalistas que insistem em olhar unicamente para os benefícios aos já empregados, sem considerar que inúmeras oportunidades de emprego são abertas quando se amplia o campo de trabalho.
No lado dos empresários, a incompreensível ação daqueles que, não querendo abrir seus estabelecimentos aos domingos, decidiram proibir os outros de fazê-lo.
No caso dos supermercadistas, há quem identifique a decisão de fechamento das lojas como uma retaliação às grandes cadeias internacionais de supermercados que nunca deixam de funcionar os sete dias da semana. A proibição do funcionamento aos domingos serviria como uma barreira à expansão dessas redes e à chegada de novos concorrentes de nível nacional.
Verdadeira ou não, esta visão contraria uma das principais bandeiras do empresariado que é a liberdade de empreender. Não foi sem razão que as associações de nível nacional dos supermercadistas sempre criticaram a decisão dos empresários capixabas.
Felizmente, o bom senso voltou e a esdrúxula cláusula foi excluída da convenção coletiva de trabalho há pouco mais de um ano. Foi preciso que o presidente Temer baixasse um decreto considerando os supermercados como uma atividade essencial para convencer os nossos supermercadistas a voltarem a atender o interesse do consumidor abrindo as lojas aos domingos. Afinal, é no domingo que o consumidor tem mais tempo disponível para fazer as suas compras. E quanto mais tempo o cliente passa nas lojas, asseguram as pesquisas, mais produtos ele leva para casa.
Dentro da linha saudável de incentivar as trocas econômicas para estimular o desenvolvimento e abrir novas oportunidades de trabalho, o Ministério da Economia acaba de publicar uma portaria que amplia ainda mais as categorias econômicas autorizadas a funcionar aos domingos e feriados. Entre elas estão o comércio em geral e os serviços destinados ao turismo.
Esta é a direção correta: menos regulação, menores obstáculos ao empreendedorismo e mais empregos para os brasileiros.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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