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Brasil

Eleições 2022: por que a terceira via naufragou?

Isso ocorreu porque a classe política decidiu, para satisfazer os seus interesses nem sempre republicanos, puxar o tapete do único pré-candidato que poderia se apresentar como uma alternativa ética e competitiva

Publicado em 23 de Setembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

23 set 2022 às 00:05
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

Os altos índices de rejeição dos dois principais candidatos à Presidência da República – Lula e Bolsonaro – propiciavam um quadro ideal para o surgimento de uma terceira via competitiva nas eleições de 2022. Essa alternativa, entretanto, naufragou. Na reta final da campanha eleitoral, os concorrentes que se dispuseram a ocupar esse espaço – Ciro e Simone, principalmente – não conseguem entusiasmar a parcela do eleitorado que nunca se mostrou disposta a optar pelo radicalismo, seja o da direita ou o da esquerda, que o cardápio eleitoral oferece hoje aos brasileiros.
E por que razão isso ocorreu? Isso ocorreu porque a classe política decidiu, para satisfazer os seus interesses nem sempre republicanos, puxar o tapete do único pré-candidato que poderia se apresentar como uma alternativa ética e competitiva à polarização radical que há muito se desenhava e que se consolidou nesta fase final da campanha.: o ex-juiz Sérgio Moro. Moro representava a moralidade tão necessária ao Brasil, um contraponto perfeito a um Lula fragilizado pela corrupção dos governos petistas e a um Bolsonaro insensível ao sofrimento das vítimas da Covid-19.
Quando a pré-candidatura de Moro se tornou pública, as pesquisas logo o colocaram em terceiro lugar. Foi aí que começou a via-crúcis de quem se iniciava na política e talvez não percebesse as armadilhas que seriam, como de fato foram, armadas para tirá-lo da disputa. A começar pelo Podemos, que lançou a sua pré-candidatura mas sempre demostrou preferir outros presidenciáveis.
A visita de Moro ao Espírito Santo foi uma demonstração do desinteresse do partido em bancar a sua candidatura: um dirigente do Podemos chegou a afirmar, em entrevista antes da visita, que ainda iria conhecer as propostas de Moro, ao mesmo tempo em que se alongava em elogios ao ex-presidente Lula. Os pré-candidatos a deputado federal do Podemos logo manifestaram o desejo de direcionar o mínimo possível dos recursos do fundo eleitoral para a candidatura do ex-juiz.
Percebendo que seria impossível ter chances de vitória sem recursos, Moro trocou o Podemos e pelo União Brasil, mas logo viu que a maioria dos integrantes do seu novo partido também estava inclinada a apoiar outros candidatos. Sua candidatura a presidente foi vetada pelo partido e ele, que tinha a preferência de 9% do eleitorado, foi preterido por Luciano Bivar que, sem alcançar 1% na intenção de votos, logo desistiu de ser candidato passando o bastão para a esforçada Soraya Thronicke.
Praticamente toda a classe política torpedeou a candidatura Moro. Lula e o PT, por razões óbvias, já que que foram o alvo principal da Operação Lava Jato. Bolsonaro, tão logo sentiu que sua reeleição poderia ser ameaçada por Moro, empurrou-o para fora do governo também para proteger seus amigos e familiares. O Centrão, cujos líderes foram, em sua maioria, investigados pela Lava Jato, manobrou para fechar as portas de seus partidos ao ex-juiz. Na lista de perseguidores de Moro não faltou o Judiciário que, além de decidir pela sua parcialidade nos julgamentos que condenaram Lula, impediu a sua candidatura ao Senado por São Paulo.
Nesse jogo de fritura a perseguições, quem perdeu foi a sociedade brasileira que acabou ficando refém do radicalismo político que busca escancarar os defeitos do adversário empurrando boa parte dos votos para o menos pior.

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

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