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João Baptista Herkenhoff

Quarta-Feira de Cinzas para homenagear Lula e Getúlio

Getúlio criou as bases do Direito do Trabalho, enquanto Lula fez avanços na legislação operária

Publicado em 02 de Março de 2019 às 00:10

Públicado em 

02 mar 2019 às 00:10

Colunista

Além do caso do sítio, Lula é réu em outras 7 ações penais Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Quarta-Feira de Cinzas lembra-nos que somos pó e em pó nos converteremos. Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris.

Neste dia santo, cabe refletir que a compaixão e a solidariedade são importantes para a genuína fé cristã. Compaixão lida mais com o interior, a vida espiritual, o coração. A solidariedade trabalha mais com as ações concretas, que desaguam num comportamento de ajuda e companheirismo prático.

A Quarta-Feira de Cinzas não é um dia apropriado para exaltar o poder porque o poder perece. É dia apropriado para homenagear quem esteve por cima e hoje está por baixo.

Quando esteve no topo, teve mil bajuladores. Na prisão, só mesmo uma figura grandiosa como frei Leonardo Boff para ter a iniciativa de visitá-lo, embora impedido de concretizar seu propósito pela arbitrariedade judicial. Que saudades de meu tempo de juiz, quando o magistrado era o fiel na balança. Não pendia nem para um lado, nem para o outro.

Neste texto, presto homenagem a Getúlio Vargas e a Lula que são, a meu ver, os dois maiores estadistas do Brasil, nos séculos XX e XXI.

Getúlio suicidou, Lula está preso.

Motivos semelhantes levaram Vargas ao suicídio e Luiz Inácio ao cárcere.

Não obstante a distância, no tempo, entre essas duas personalidades, há muito em comum entre ambas.

Getúlio e Lula defenderam as riquezas nacionais contra a cobiça estrangeira. Getúlio criou as bases do Direito do Trabalho, Lula fez avanços na legislação operária.

Um dos maiores legados de Vargas foi a implementação de um projeto desenvolvimentista baseado na forte presença do Estado em áreas consideradas cruciais para o desenvolvimento do país. Atuando como regulador ou empreendedor de certas atividades econômicas, a intervenção estatal tinha por objetivo estimular a industrialização e modernização do país.

Lula partilhou de ideais semelhantes, embora num outro tempo.

Getúlio e Lula tiveram o apoio das camadas mais pobres da sociedade. Contaram com a simpatia de setores da classe média. Atraíram contra si o ódio dos que não queriam e não querem nada perder.

Essa camada superior não se considera detentora de qualquer privilégio. Tudo que conquistou foi resultado de luta e esforço, diferentemente da plebe rude.

Nenhum brasileiro recebeu homenagens semelhantes às tributadas a Getúlio, após sua trágica morte. O Brasil chorou. Os idosos lembram-se disso.

Frequentadoras da missa, católicos exemplares, essas pessoas não consideram que profanam o Evangelho quando se socorrerm das palavras do Cristo para defender uma sociedade de classe.

Pobres, sempre tereis convosco. (Marcos, 12, 7).

O Cristianismo tem seu fundamento no amor e na solidariedade. A ideia de competição, como diretriz para a vida econômica, mesmo quando essa competição esmaga os fracos, não tem filiação evangélica.

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