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O pesadelo da realidade está deixando as pessoas perdidas

Muitas pessoas, não no sonho, mas na realidade, não sabem quem são e nem o lugar onde estão exatamente

Publicado em 02/04/2019 às 21h53
Sonho ou realidade: as pessoas estão perdidas. Crédito: Divulgação
Sonho ou realidade: as pessoas estão perdidas. Crédito: Divulgação

Acordo no meio da noite, vou ao computador e escrevo estas três palavras para não esquecer – sonho ou pesadelo. O pesadelo, em resumo, foi este: Estou num lugar que não sei qual é. Além dessa falta de chão, não sei quem sou. O pesadelo causou-me angústia, sofrimento.

Pensei que talvez pudesse escrever uma crônica a respeito do pesadelo. Realizo, através desta página, este propósito.

Muitas pessoas, não no sonho, mas na realidade, não sabem quem são, e estão fisicamente num lugar sem saber exatamente que lugar é este ou onde este lugar se localiza.

Entretanto, a busca da própria identidade, de saber quem é, de saber de onde veio, para onde vai, é um apelo humano fundamental e universal.

São milhões os apátridas espalhados pelo mundo.

A ONU tem uma agência que se destina a proteger os apátridas. Eles são acolhidos por voluntários generosos, portadores de uma verdadeira fé (cristãos, judeus, muçulmanos), e não de uma fé aparente, a suposta fé daqueles que vão à igreja, são até amigos do bispo, dos padres, dos pastores, mas não enxergam no próximo um irmão.

No Brasil, são milhões os brasileiros, sem uma referência própria, anônimos, pessoas que não possuem registro civil, ou que são civilmente registradas mas não têm o reconhecimento de qualquer direito pessoal ou social. Essas pessoas podem ser presas, por não ter um documento que prove a identidade, pois quem não tem identidade possivelmente é um bandido.

Milhares de pessoas estão nas prisões sem terem cometido qualquer crime. Inverteu-se o princípio – a inocência é presumida, a culpa deve ser provada.

Essa máxima só prevalece relativamente às chamadas pessoas de bem, um grupo escolhido de cidadãos.

Para a plebe rude, o princípio vigente é o oposto – a culpa é presumida, a inocência deve ser provada.

Em razão desse sonho, ou pesadelo, lembrei-me dos tempos em que fui juiz de Direito em São José do Calçado.

Com apoio da comunidade e, principalmente dos estudantes, realizamos a Campanha da Cidadania Ampla. Pessoas que não tinham registro civil foram registradas.

Trabalhadores sem carteira profissional foram legalizados. Casais que viviam amasiados foram a cartório casar na forma da lei. Nunca os cartórios tiveram tanto movimento.

Casais saíam com a certidão de casamento nas mãos tão felizes quanto no dia do sim-sim na igreja.

Somente numa cidade, portadora de altíssimo nível ético, seria possível alcançar o êxito que foi alcançado. Sorte tiveram os juízes que passaram pela Comarca de São José do Calçado.

Nessa comarca, os juízes educavam e eram educados. Que grande missão compete aos magistrados nesses caminhos infinitos da Terra de Santa Cruz.

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