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E jornalista e cronista

Quando o amor subiu na mesa de bar e revelou segredos de Estado

O Amor não se apega a insignificâncias, prefere ir direto ao assunto, correndo o perigo de recolher mágoas por onde passa

Publicado em 19/06/2019 às 16h24
Amor e ódio. Crédito: Divulgação
Amor e ódio. Crédito: Divulgação

O Amor invadiu o quarto dos amantes e jogou seu peso lambuzado de delícias sobre o colchão. Não deu tempo pra ninguém se recompor, vestir roupas cotidianas de quem recebe ilustre visita. O Amor não se apega a insignificâncias, prefere ir direto ao assunto, correndo o perigo de recolher mágoas por onde passa. Há quem se amedronte à presença do Amor porque sabe o quanto ele carrega do seu irmão contrário, o Ódio.

O irmão tem avançado por brechas e seus dedos andam apertando dores alheias, esgarçando a ferida da Paixão que, com sua música furiosa, derruba os pares no salão. Doida varrida, a Paixão precede o Amor, quer tudo pra si, sem dó de que falte ao outro a porção mínima de prazer. Essa moça, com mania de fechar a gaveta sem tirar os dedos, coleciona orgasmos ao sangue recolhido dentro das unhas.

E o Amor segue a invasão a despeito de quem tentava contê-lo. Entra no cinema e no escuro da sala, desliza sobre os seios, entre pipocas amanteigadas, e sela o encontro furtivo com beijo mais penetrante que o do galã do filme. Ator de cena sem roteiro, porque histórias de Amor são escritas ao sabor da hora, acontece à saída do diretor do set e termina no camarim. Deixa reflexos no espelho sujo pelo batom da atriz e não dá autógrafos pra não comprometer seu nome.

O Amor foi ao circo e dançou com o homem que soltava fogo pelas ventas, deixou-se queimar - amores apreciam incêndios. Chamado ao trapézio, deu voleios no ar quando retiraram a rede de proteção. Ele sempre opta pelo perigo, machucar é regra quando se é amante de carteirinha, não se sai ileso do cerco amoroso. Antes de domar o tigre só pelo olhar, circulou pelo globo da morte em saltos mortais, se vestiu de palhaço porque fantasias são bem-vindas na hora agá. A roupa da equilibrista lhe cairia melhor, mas ele não me ouviu.

O Amor subiu na mesa do bar e fez declarações que deveriam ser segredo de estado. Ele fala demais, escreve textão, abusa do WhatsApp. Falta ao Amor aprender a segurar a língua, mas como seguir a lição se é dela, a língua solta, que vêm os beijos que nenhuma boca explica? O Amor acaba de me beijar.

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