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Jace Theodoro

Meu dia na praia com a Jenifer

Com o kit-praia a postos, parto pra um rolé em Guarapari, a Cidade-Saúde, pois é verão e o cronista não vai ficar em casa tomando ducha gelada de quinze em quinze minutos

Publicado em 18 de Janeiro de 2019 às 11:55

Públicado em 

18 jan 2019 às 11:55

Colunista

Crédito: Divulgação
É verão e o cronista não vai ficar em casa tomando ducha gelada de quinze em quinze minutos pra aliviar o fogo nas ventas e deixar a água saindo pelo ladrão. Com o kit-praia a postos, parto pra um rolé em Guarapari, a Cidade-Saúde que, nesta estação de miolos quentes, recebe milhares de turistas que vêm brincar de gente à milanesa nas areias monazíticas.
É muita saúde por lá, mas eu acho que perdi a minha com o pastel de camarão que o ambulante me serviu em papel de pão. Algumas idas ao banheiro depois do breakfast promissor, chego na areia, não sem antes ter o corpinho de passeio quase abalroado por uma bicicleta em velocidade máxima. Ir à praia no alto verão, nobre leitor, demanda alguns estudos preliminares sobre segurança no calçadão e no mar.
Na Praia do Morro, tenho que pular algumas casas na areia até encontrar um centímetro quadrado pra pousar minha cadeira. Ao assumir o assento, um capeta em forma de guri, em desabalada corrida, entorna no meu colo a água do baldinho que acabara de trazer do mar. Ele chora, não sei se pelo seu desastre ou pela minha expressão de malvado favorito. Logo eu, este anjo de candura.
Hora de ler o poeta Leminski. A distração poética acaba nos versos de Aviso aos Náufragos, onde ele indica que o poema nasceu para ser praia. Mas não a do Morro, poeta. A concorrência veio da caixa de som enooorme dos vizinhos do lado. O cara gritando pelo nome de uma tal Jenifer, que ele conheceu no Tinder, era a trilha sonora reinante sobre as águas de Netuno. Depois dos decibéis dos DJs praieiros, meus tímpanos se candidataram ao papel de náufragos do poema.
Nada como um mergulho pra esfriar a cabeça. Se a bola da altinha e do futevôlei deixassem. Foi só eu levantar que as duas me acertaram os cornos ao mesmo tempo. Dei três rodopios e caí de boca na areia. A farofa e o bife à milanesa do almoço estavam garantidos.
O sol de rachar era promessa de emoções sem fim. Juntei meus paninhos de bunda e saí catando coquinho no labirinto de banhistas. Melhor virar um iceberg em casa sob o split de 50 mil BTUs que ter os miolos fritos na cidade da beleza e do caos.

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