A bandeira foi hasteada em estado de graça. Ao lado das bandeiras do Brasil e da Rede Gazeta tremulavam as cores do arco-íris dando boas-vindas a quem chegava na empresa. O Dia Nacional do Orgulho Gay ganhou aceno positivo da Rede contra a intolerância e pelo respeito à diversidade. Este cronista se sentiu agraciado e representado com a homenagem.
Nunca escondi minha orientação sexual nem fiz dela o que chamam os detratores de mimimi de gênero. Não a usei como escudo de proteção, ao contrário, tive de ser lança para enfrentar os dragões da maldade que querem fazer de cinzas quem caminha por trilhas contrárias à norma. Como se diferentes estivessem no lado oposto da corda da normalidade, inimigos merecedores do cadafalso. Para eles (nós) a corda ou a guilhotina, Marias Antonietas condenadas pelo preconceito.
A roda dos dias avança, a Terra continua sua rotação inesgotável em torno do Sol e as cabeças insistem em se manter sob a pedra da empatia zero. Olhar pro outro e reconhecê-lo como igual não está nos mandamentos de quem só se conecta às escrituras no papel couché e despreza gestos cristãos no seu papel de cidadão na vida real.
A hipocrisia tem lugar cativo na sala de jantar, mas finge que ama sem distinção, desde que o amado em questão não aceite o convite pra ceia nem beba na mesma taça de vinho que eu. Você é meu igual se mantivermos confortável distância, eis a maquiagem da aceitação. Mesmo enfrentando a repulsa, muitas frentes se iluminaram para que movimentos LGBTI mantivessem o prumo e o coração valente.
E sem coração, sem pulso finda o ardor pela luta. Não se trata de privilégios e sim de direitos respeitados. Um país que ocupa o trágico ranking de crimes contra as minorias não pode se orgulhar de pertencer a essa geografia da violência. O orgulho tem de ser o da batalha sem tréguas contra o preconceito.
A bandeira hasteada ou nas mãos é diária, em atitudes e olhares que saiam do próprio umbigo e alcancem a dignidade do outro. Não sejamos irmãos só nos discursos, mas em afeto, empatia e alteridade. Eu estendo a minha mão, nobre leitor, para que caminhe comigo.