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Memória

O soldado capixaba esquecido após a Segunda Guerra Mundial

Pedro Mariano de Souza jamais voltaria à terra natal, pois fora sepultado primeiro na Itália e, desde 1960, repousa ao lado de outros colegas no Monumento Nacional aos Mortos, no Rio de Janeiro

Publicado em 29 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

29 out 2019 às 05:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Pedro Mariano de Souza foi combatente na Segunda Guerra Mundial Crédito: Acervo Casa de Cultura de Muniz Freire
Convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), contingente que lutou na Segunda Guerra Mundial, o jovem Pedro Mariano de Souza, nascido em São Simão, zona rural do município de Muniz Freire, serviu e morreu na Itália como soldado do 1º Regimento de Infantaria do Exército.
Sua jornada na guerra terminou num acidente de caminhão, no dia 29 de outubro de 1944, na cidade de Pisa, um mês após a chegada em solo europeu. A precoce morte, aos 24 anos, sequer foi informada à mãe, já que os familiares, preocupados com o seu estado de saúde, optaram por não revelar detalhes do ocorrido na guerra.
O combatente capixaba jamais voltaria à terra natal, pois fora sepultado primeiro na Itália e, desde 1960, repousa ao lado de outros colegas no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.
Condecorado postumamente, recebeu as medalhas de “Campanha” e “Cruz de Combate de 2ª Classe”. A medalha de “Campanha” é concedida aos envolvidos em ações de guerra sem nota de desonra e a de “Cruz de Combate de 2ª Classe” aos participantes de feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares.
Apesar das honrarias, para o poder público de Muniz Freire, a luta de um cidadão local no maior conflito bélico do século XX não teve grande relevância e a sua história acabou silenciada ao longo do tempo, talvez pelo fato do combatente ser negro, pobre e pertencer à família sem influência política.
Curiosamente, a pouca importância dada ao militar inicia-se com um tributo a ele. O município de Muniz Freire o enalteceu através da Lei Nº 221, de 26 de dezembro de 1960, nomeando de Expedicionário Pedro Mariano a antiga Rua 13 de Maio. Passaram-se quatro anos e a promulgação da Lei Nº 128/1964 retirou o seu nome da via, denominando-a de Antonio Bazzarella. Em contrapartida, a Travessa do Carmo passou a se chamar Travessa Expedicionário Pedro Mariano.
Cerca de 12 anos depois, mais uma lei, a de Nº 824, de 15 de outubro de 1976, estabeleceu uma confusão que ainda vigora. Esta última ignorou parte da norma que homenageava Pedro Mariano e deu à mencionada Travessa o nome de Jerônimo Monteiro. Decorridos 13 anos, a Lei Nº 1.072/1989 substituiu Jerônimo Monteiro por José Manoel Almeida, designação atual. Outra tentativa de valorizá-lo aconteceu em 1983, mediante indicação de serviço do vereador Jonote da Silva Braga (PMDB), que solicitou, sem obter êxito, a construção de um busto do ex-combatente.
A publicação de diferentes leis fez com que o soldado ficasse sem homenagem, ou seja, o município de Muniz Freire permanece sem reparar o erro de ter removido o nome de Pedro Mariano de Souza de suas ruas. Registre-se, portanto, a crítica a desordem provocada pelas trocas, pois se houvesse critérios claros e justos ao nomear logradouros públicos, equívocos assim não aconteceriam.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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