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História

Projeto leva história da ditadura para escola de Muniz Freire

Documentos históricos, que revelam detalhes dos procedimentos adotados pelos militares no município, vão ganhar visibilidade através de palestras

Publicado em 24 de Agosto de 2021 às 02:00

Públicado em 

24 ago 2021 às 02:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares Herbert Soares
Muniz Freire
Muniz Freire: trabalho realizado por historiadores do município é fundamental para compreender o funcionamento de um regime autoritário Crédito: Edson Chagas | Arquivo | GZ
O projeto “Na mira da ditadura: a atuação da DOPS/ES no município de Muniz Freire – ES” reflete sobre as perseguições políticas ocorridas na cidade após o golpe de 1964. Com essa base, visa despertar o interesse das novas gerações pelo tema e reforçar a importância da democracia e do estudo da história local.
Focado nos alunos e professores da rede pública e também aberto à comunidade, o projeto será inicialmente desenvolvido no Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio Bráulio Franco, na próxima sexta-feira, dia 27 de agosto, às 13h. Na escola que é referência em ensino de qualidade, ações educativas serão realizadas a partir de dossiês da extinta Delegacia de Ordem Política e Social do Estado do Espírito Santo – DOPS/ES, acervo atualmente custodiado no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES).
Entre as atribuições da DOPS/ES estavam a vigilância e a repressão contra qualquer movimento de contestação ao poder estabelecido, ou seja, a delegacia tinha papel essencial na manutenção da ditadura militar. Nesse sentido, ao contrário do que muitos imaginam, sua operação se expandiu para além dos grandes centros urbanos, chegando inclusive ao interior do Espírito Santo, como é o caso do pequeno município de Muniz Freire, situado na região do Caparaó.
No mencionado acervo constam fichas policiais e outras referências a supostas atividades subversivas de moradores de Muniz Freire no período, incluindo agricultores, professores, funcionários públicos e até o padre da cidade. Esses documentos históricos, que revelam detalhes dos procedimentos adotados pelos militares no município, vão ganhar visibilidade através de palestras ministradas por mim e os também historiadores Ercília Pastore e Marcello Furtado.
Esse trabalho, que é fundamental para compreender o funcionamento de um regime autoritário, é fruto do edital de Educação Patrimonial da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo e conta com recursos oriundos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo, o Funcultura.
Durante o evento, o uso de máscara será obrigatório e a ocupação do auditório será reduzida para não causar aglomerações. No futuro próximo, já imaginando o controle total da pandemia de Covid-19, a ideia é tornar o projeto itinerante e levá-lo para escolas públicas e privadas de toda a região do Caparaó.

Herbert Soares

Herbert Soares Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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