Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Segurança pública

Tapa na pantera: a verdade sobre usuários e ex-usuários de drogas

Será que alguma vez gastamos, com campanhas de esclarecimento e tratamento aos dependentes, uma pequena fração das verbas públicas empregadas na repressão mal-sucedida ao tráfico?

Publicado em 05 de Dezembro de 2021 às 08:35

Públicado em 

05 dez 2021 às 08:35
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

Drogas
A quadrilha desmantelada pela Polícia Federal era especializada no tráfico de cocaína Crédito: Divulgação
Não temos estatísticas oficiais sobre a quantidade de usuários de substâncias ilícitas, mas, em entrevistas com garantia de anonimato, em média 10% dos adultos jovens (equivalente a 5% da população) afirmam que as utilizam regularmente; algo em torno 30% admitem que ao menos “deram um tapa” nos últimos doze meses.
Todavia, quando perguntamos quem já fez uso ao menos uma vez na vida, mais de 70% levantam a mão. É claro que esses números não incluem os que se sentiram constrangidos em admitir uma prática ilícita, nem os usuários abusivos de psicoativos lícitos como o álcool e dos que dependem de receita médica.
Não há nenhum motivo racional para acreditar que esses usuários estão concentrados em determinadas categorias sociais “alternativas”. Se você é realista, reconhecerá que a maior parte dos legisladores que criam as normas proibitivas, bem como dos policiais, promotores e juízes encarregados de executá-las, o fazem bastante forçadamente, porque não estão inteiramente convencidos de que sejam justas e úteis, ou pelo menos porque não se sentem com “moral” suficiente, já que lembram o que fizeram na juventude, se é que deixaram de o fazer.
Essas normas proibitivas cada vez mais duras vêm sendo exigidas por uma minoria esmagadora, como ocorreu nos EUA com a Lei Seca. E são exigidas com sucesso, porque poucos têm a coragem de discutir publicamente a razoabilidade dessa estratégia.
Sempre que se tenta proibir alguma conduta com elevada aceitação social – jogo, prostituição, consumo de psicoativos – surgem vários problemas, entre eles a corrupção. Al Capone sempre dizia que jamais fez nada além de fornecer às pessoas a diversão que elas queriam; assim pensavam o prefeito e os policiais corruptos de Chicago; na verdade, assim pensava a maior parte da população, e por isso a Lei Seca naufragou. Por que ninguém quer testemunhar? Você acha que seria tão fácil convencer um policial (e a população) a fazer vista grossa para um estupro?
O Direito Penal sempre foi considerado a ultima ratio, o último recurso, a ser utilizado somente quando todos os demais falharam. Será que alguma vez gastamos, com campanhas de esclarecimento e tratamento aos dependentes, uma pequena fração das verbas públicas empregadas na repressão mal-sucedida ao tráfico?
O que ocorreu na prática é que o combate criminal à oferta de drogas consumiu todo o dinheiro disponível e não nos permitiu nem sequer um debate racional das políticas sobre drogas. A raiva e o medo são péssimos conselheiros e não é nenhuma surpresa o fragoroso naufrágio das políticas antidrogas atuais.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Galocantô e Renato da Rocinha farão show gratuito em evento de samba no Cais das Artes
Galocantô e Renato da Rocinha farão show gratuito no Cais das Artes
Ônibus pega fogo na BR 101 em Mimoso do Sul
Ônibus com 31 passageiros pega fogo na BR 101 em Mimoso do Sul; vídeo
Imagem de destaque
20 concursos e seleções com salários de até R$ 13 mil; veja vagas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados