Eis que um empresário, condenado por feminicídio, mas em liberdade, é novamente preso, agora sob acusação de tráfico de drogas “elitizadas”. Não faremos aqui nenhum juízo de culpa no crime pelo qual já foi julgado e muito menos sobre essa outra acusação que está apenas no começo. O tema de hoje é quando as investigações do tráfico chegam ao andar de cima da sociedade.
Parece muito justo que o mesmo pau que bate em Chico dê em Francisco. Uma das razões pelas quais isso não acontece com mais frequência é pelo custo econômico por prisão. Segundo matéria jornalística, apenas a operação deflagrada em si consumiu 200 policiais. Contudo, certamente houve meses de investigação, com muitos servidores públicos envolvidos e, portanto, muitos salários. No final, com certeza, o Estado teve mais gastos do que o prejuízo econômico produzido para o traficante.
Se alguém quer elevar as estatísticas de “traficantes presos”, a melhor estratégia são as abordagens em regiões onde se localização as bocas de fumo, que todo mundo da região sabe onde ficam. É quase certo voltar com um auxiliar de estagiário de traficante devidamente algemado, e os números crescem, assim como a superpopulação carcerária.
Esse procedimento de investigar muito primeiro, reunir provas e identificar os cabeças deveria ser adotado para toda e qualquer espécie de ilícito e, em particular, para o tráfico, seja na favela, seja no asfalto. Trata-se de priorizar a qualidade das prisões, não a quantidade. Cadeias superlotadas não são sinônimo de ruas mais seguras, pelo contrário. Não é uma boa ideia filtrar o mosquito e engolir o camelo, pescar as piabas e deixar soltos os tubarões.
Não que isso garanta sucesso no combate ao tráfico de drogas. Ninguém tem essa fórmula no bolso e, quem diz que tem, é um estelionatário político. Contudo, ao menos temos a oportunidade de alcançar pessoas mais importantes nas cadeias de comando e, de quebra, resolver outro problema, que são os presídios completa ou quase completamente fora do controle das autoridades, nos quais ninguém sabe, de verdade, o que acontece lá dentro; presídios onde estão fincadas as raízes das facções criminosas, que se alimentam do caos.
No caso concreto, seguramente não vão faltar haxixe e ecstasy para quem quiser consumir, nem maconha, cocaína ou crack. Continua sendo apenas enxugar gelo. Apenas um gelo que estava boiando em uísque.