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4 razões do sucesso de uma política pública de Educação no ES

O Programa Jovem de Futuro, implementado na rede estadual de ensino médio regular desde 2015, foi considerado a melhor política pública do país

Publicado em 25 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

25 mai 2022 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

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Haroldo Corrêa Rocha Haroldo Corrêa Rocha
O Instituto Unibanco e a Secretaria de Educação do Espírito Santo ganharam recentemente um prêmio muito significativo. Entre 50 políticas públicas avaliadas, o Programa Jovem de Futuro, implementado na rede estadual de ensino médio regular desde 2015, foi considerado a melhor política pública com base em evidências. Desde 2017, a rede estadual de ensino médio tem os melhores níveis de aprendizagem em língua portuguesa e matemática e o segundo melhor Ideb, dentre os Estados brasileiros.
Ao longo de 15 anos, o Jovem de Futuro foi implementado em 11 diferentes Estados e atualmente está presente em 6: Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Piauí e Espírito Santo. Por que foi premiada a experiência aqui? Há quatro aspectos a serem destacados como fatores de sucesso.
Primeiro, o programa foi implementado no Estado a partir das decisões de um governador que iria iniciar o terceiro mandato e de um secretário de Educação que iria iniciar o segundo ciclo de gestão. Tratava-se, portanto, de lideranças já conhecedoras das necessidades da educação estadual, tendo o objetivo claro de impulsionar a melhoria da qualidade do ensino médio regular. Decisão tomada em novembro de 2014, ainda antes da posse, e implementada a partir de 2 de janeiro de 2015, tendo assim garantidos os quatro anos de governo para sua efetiva implementação em todas as escolas da rede estadual.
O segundo fator de sucesso foi a manutenção da equipe da Gerência de Ensino Médio, constituída desde o governo anterior. Mesmo tendo sido um governo de oposição, foi tomada a decisão de manter a gerente e equipe e atribuir a ela a responsabilidade pela implementação do Jovem de Futuro. Andréa Guzzo, a época gerente de ensino médio e, desde 2019, Subsecretária de Educação Básica, é uma pedagoga, servidora efetiva da rede estadual, que conheci em fins de 2014, quando começamos a planejar a gestão 2015/2018.
A ela, considerando sua competência profissional, foi dada a opção de continuar a liderar o ensino médio regular e a implantação do Jovem de Futuro ou passar a liderar a implementação do novo Programa Escola Viva, educação integral em tempo integral. Andréa decidiu liderar a implantação do Jovem de Futuro nas escolas de ensino médio regular. Houve assim continuidade da liderança competente, tanto por decisão do secretário como da própria gerente, que obviamente manteve a equipe técnica.
O terceiro fator de sucesso foi a presença constante do secretário de Educação junto às Superintendentes Regionais, aos diretores de escolas e aos coordenadores pedagógicos, validando a implementação e sustentando o caráter prioritário do Jovem de Futuro. Na verdade, em 2008, na sua primeira gestão, já havia sido feita uma tentativa piloto de implementar o circuito de gestão, tal como faz o Jovem de Futuro, em três escolas, mas a falta de ferramentas adequadas e estruturadas não garantiu a continuidade.
O Jovem de Futuro já trouxe para a rede uma concepção completa a ser implementada. Não houve resistência sistemática ao programa, mas muitas dificuldades apareceram e foram sendo superadas no processo. Ilustro as dificuldades e a adesão dos diretores de escolas com a expressão da Diretora Cybele Tavares da EEEM Guarapari, que, em 2016, fez a seguinte afirmação: “Secretário, tem hora que dá vontade de ‘matar’ o Jovem de Futuro, de tanto trabalho que dá fazer o monitoramento, mas logo em seguida eu mudo de ideia, pois ele me ajuda a enxergar problemas óbvios, que estavam à vista, mas não eram percebidos.”
O quarto aspecto que garantiu o sucesso foi ser um programa implementado em parceria com uma instituição do terceiro setor. O Instituto Unibanco viu na rede estadual a possibilidade de escalar o programa de um primeiro grupo de escolas para a totalidade da rede, resguardando o grupo de controle para garantir as evidências científicas dos resultados, tornando o programa uma política pública da rede estadual. A Secretaria de Educação topou o desafio e assim foi feito.
Na mudança de governo, o Instituto Unibanco, isento de vinculação política partidária, teve papel estratégico num duplo sentido. Decidiu ampliar o tempo de implementação do programa e, por conseguinte, de permanência da parceria com a Sedu, que inicialmente era de três anos e passou para oito. Em segundo lugar, fez um trabalho competente de demonstração das virtudes e bons resultados do Jovem de Futuro e sensibilização dos novos gestores para sua continuidade. O novo governo, embora declaradamente de oposição, decidiu, de forma sábia, dar continuidade ao programa e manteve a já experiente e competente equipe técnica da Gerência de Ensino Médio.
Conhecimento, evidências científicas, experiência das lideranças, prioridade, parceria como o terceiro setor e continuidade da política educacional, mesmo com mudança de governo, são as razões do sucesso da educação do Espírito Santo.

Haroldo Corrêa Rocha

Haroldo Corrêa Rocha Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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