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Francisco Aurelio Ribeiro

Feira Literária tem a missão de fazer autores capixabas serem lidos

A maior dificuldade para quem escreve, no Espírito Santo, é a divulgação de sua obra e a circulação do livro

Publicado em 10 de Maio de 2019 às 18:48

Públicado em 

10 mai 2019 às 18:48

Colunista

Livros Crédito: Pixabay
Maio não é só o mês de Maria e das noivas, mas também o da Feira Literária Capixaba, Flic-ES, neste ano em sua sexta edição, ampliada e melhorada. A Academia Feminina Espírito-santense de Letras, comemorando 70 anos neste ano, juntamente com a Academia Espírito-santense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, promovem esse festival do livro e da literatura, o maior evento literário capixaba. Com o apoio da Ufes e o patrocínio do Ministério da Cidadania e da ArcelorMittal, a 6ª Flic-ES, neste ano, homenageia a professora, escritora e deputada Judith Leão Castello Ribeiro, a primeira Presidente da Afel, a primeira deputada eleita no ES e a primeira mulher a entrar na AEL, em 1981. Dona Judith será homenageada desde a abertura com o lançamento de um vídeo feito em sua homenagem e da Revista da 6ª Feira Literária Capixaba “Judith Leão Castello Ribeiro”.
Com 88 lançamentos confirmados de autores capixabas, dezenas de mesas-redondas e palestras, a presença ilustre de convidados como Marco Lucchesi, o presidente da Academia Brasileira de Letras, José Arrabal, escritor capixaba radicado em São Paulo, várias vezes premiados e dezenas de livros publicados, e o fechamento com a presença ilustre de Conceição Evaristo, uma das mais notáveis poetisas brasileiras, dentre vários outros, a Feira Literária Capixaba espera receber um grande público, em seus dias de realização, 22 a 26 de maio.
Muitas escolas agendaram sua participação e diversos eventos culturais, música, teatro, dança, folclore, ocorrerão paralelamente, num espaço pensado exclusivamente para o público jovem.
Hoje, é muito grande a produção literária capixaba, devido à facilidade para se publicar e às leis de incentivo. No entanto, a maior dificuldade para quem escreve, no Espírito Santo, é a divulgação de sua obra, a circulação do livro em espaços onde ele deveria ser encontrado, bibliotecas e livrarias, e a sua chegada ao público a que se destina, o leitor. O que adianta escrever e publicar um livro que não será lido ou não será encontrado em nenhum lugar? A maioria dos escritores amarga essa desilusão, escrever para não ser lido. No mundo atual, há uma afoiteza para publicar, uma necessidade individual de se expor, por meio das palavras, bem maior do que a de ler o que os outros escrevem. Parece que todos almejam ser escritores, mas ler o que se escreve poucos o fazem.
Dia desses fui procurado por um jovem escritor capixaba, bem divulgado nas redes oficiais, com boa vendagem de seus livros, e não me espantei quando vi que ele nunca tinha lido nada de Reinaldo Santos Neves, Bernadette Lyra, Adilson Vilaça, Sérgio Blank ou Paulo Sodré. Imagino que não leu ou lê nem os capixabas nem os brasileiros mais conhecidos, Guimarães, Machado ou Clarice. A 6ª Flic-ES é um espaço criado para dar visibilidade a este oculto escritor, o capixaba, que almeja não só publicar, mas principalmente, divulgar sua produção e ser lido.

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