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Francisco Aurelio Ribeiro

Congo de Roda D'Água também faz sua homenagem à Nossa Senhora

Uma das mais tradicionais festas em homenagem à padroeira é a existente em Roda dÁgua, Cariacica

Publicado em 27 de Abril de 2019 às 20:12

Públicado em 

27 abr 2019 às 20:12

Colunista

Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D'Água Crédito: Gildo Loyola/Arquivo AG
Hoje, Vila Velha, a primeira capital do Espírito Santo, está em festa, comemorando a Festa da Penha, tradição iniciada por Frei Pedro Palácios, em 1570, em seu último ano de vida. Frei Pedro veio atrás de seu sonho, trazendo debaixo do braço um quadro de Nossa Senhora das Alegrias, para aqui erigir um templo dedicado a Nossa Senhora, Mãe de Deus e dos Homens. Para os negros trazidos da África, era Iemanjá que vinha do mar para os consolar de seus sofrimentos; para os nativos que se mesclavam aos colonizadores e invasores de sua terras, era Tupanci, a mãe do criador do Universo. Frei Pedro não viveu para ver sua obra terminada, mas trouxe a semente que germinou e frutificou na terra fértil em que a plantou.
Mas a Festa da Penha não é só em Vila Velha. Nossa Senhora da Penha é a Padroeira do Espírito Santo e, em muitos rincões capixabas, existem igrejas e cultos a Nossa Senhora da Penha. Uma das mais tradicionais é a existente em Roda d’Água, bairro de Cariacica, com o seu inusitado Congo de Máscaras. Numa mistura de fé e folclore, a comemoração em homenagem à padroeira do Espírito Santo é feita com batuques, cantorias e o som característico dos reco-recos das casacas. Os congueiros festejam Nossa Senhora da Penha com procissão e missa em louvor à padroeira em ritmo de congo, num momento de sincretismo e colorido único em nosso Estado e no país, existente há mais de cem anos. Diz a lenda que essa tradição surgiu na época da escravidão, uma forma de os escravos participarem das comemorações da Festa da Penha escondidos, já que não podiam ir pessoalmente ao Convento como gostariam.
Conhecia essa história desde 1992, quando publicamos na Ufes o livro “O Congo de Máscaras”, monografia do Eliomar Mazzoco, mas só agora pude conhecer Roda d’Água, pois, no dia do escritor, semana passada, recebi o convite da professora Alba Valéria para ir à Escola do Campo e Estação de Ciências “Margarete Cruz Pereira” para conversar com os alunos.
A escola situa-se no alto do morro, três km acima de Roda d’Água, no meio da Mata Atlântica, um lugar paradisíaco. Fiquei encantado com os alunos, os professores, o jovem diretor Wesley e o trabalho desenvolvido ali. Os 100 alunos do fundamental vivem num ambiente de paz e harmonia, em tempo integral e, além das disciplinas tradicionais do currículo, aprendem astronomia, música, artesanato, gastronomia, a cuidar dos animais e das plantas. De lá, se avista Vitória, Vila Velha e o Convento da Penha, ao longe. Só assim pude entender a razão de ser do Congo de Máscaras de Roda d’Água. E conhecer um dos lugares mais bonitos do nosso estado. “Iaiá, você vai à Penha? Me leva, ô. Me leva”.

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