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Inovação

O valor de uma ideia inovadora

Para começo de conversa, ter ideias não é um dom. Criar não é uma competência exclusiva de uma classe favorecida. Todos nascemos com a capacidade de pensar soluções originais diante de problemas com os quais nos deparamos

Publicado em 03 de Junho de 2022 às 02:00

Públicado em 

03 jun 2022 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Criatividade e inovação são alguns dos termos meio que “bola da vez”. Ao abrir um site com abordagem em negócios, invariavelmente, um dos dois temos ou ambos, estarão lá. Atrevemo-nos a afirmar que em muitas dessas menções, soa como um clichê ou como uma expressão vazia, apenas para tentar impressionar os leitores. 
É um tal de “empresa criativa” para cá, “gestão inovadora” para lá, mas, afinal, do que estamos falando? E já que estamos falando em clichê, talvez seja a hora de “quebrar os paradigmas” sobre criatividade e inovação.
Para começo de conversa, ter ideias não é um dom. Criar não é uma competência exclusiva de uma classe favorecida. Todos nascemos com a capacidade de associar elementos, de pensar soluções originais diante de problemas com os quais nos deparamos. Há um mito de que a criatividade é fruto da genialidade de seres diferenciados, mas não é bem assim que a coisa se desenrola. 
Segundo Kevin Ashton, no excelente livro “A história secreta da criatividade”, criar é dar passos e não saltos. Ninguém vence uma maratona em um pulo, mas por meio de uma sequência de passos. Paralelamente, uma ideia não nasce pronta. Ela é fruto de uma bricolagem de tentativas e erros. Não se trata da inspiração usualmente romantizada, mas sim, de adentrar em uma jornada onde a maioria dos insights apontam para ruas sem saída, cujo caminho a ser trilhado, não conta com a tecnologia GPS.
Em síntese, a criatividade pode representar um fazer humano tão trivial que sequer a percebemos no dia a dia. Siga nosso raciocínio para vislumbrar a ação prática da criatividade. Você tem uma entrevista de emprego marcada naquela empresa em que sempre sonhou trabalhar. Acorda mais cedo, decide fazer uma caminhada para ficar mais disposto, para depois tomar um bom banho para se arrumar com calma. No entanto, ao abrir a torneira do chuveiro, verifica que está faltando água. Você busca informações com a vizinhança ou com o condomínio sobre a situação e descobre que o bairro todo enfrenta o mesmo drama. Quais as opções que você pode seguir para não perder aquela chance que pode mudar seu rumo profissional:
  1. Vai suado mesmo, mas dá uma caprichada no desodorante para tentar causar boa impressão.
  2. Utiliza os litros de água que estão na geladeira para se banhar. Mesmo que o resto da família reclame, acredita que eles compreenderão, já que, segundo você, é por uma boa causa.
  3. Passa na farmácia e compra lenços umedecidos para dar uma disfarçada.
  4. A quarta opção é por conta do leitor.
Enfim, você usa o processo criativo para superar uma situação de instabilidade que não foi prevista. É o sinal para utilizar o potencial criativo, uma vez que criar é associar ideias, e, em muitos casos, usá-las para nossa sobrevivência.
E a inovação? Pois bem, a inovação é a ideia aplicada e que consegue gerar valor. A inovação se constitui em algo que realmente impacta a vida das pessoas e transforma a forma como elas vivem e consomem produtos ou serviços. E qual o valor de uma ideia inovadora? Tim Brown, no clássico livro "Design Thinking", afirma que uma ideia inovadora é aquela capaz de contestar e modificar aquilo que está estabelecido.
Quando a Netflix inaugurou seu serviço de streaming, mesmo que com catálogo reduzido perto do que temos disponível hoje, ela colocou em xeque o modelo de empréstimo de filmes em locadoras. Sim, ainda tem muita gente saudosista que lembra com nostalgia das locadoras, como espaços de relacionamento, de encontro e de informação. Porém, isso não foi suficiente para manter vivos esses templos de fitas VHS e de DVDs.
Encontramos facilmente ideias inovadoras como a da Netflix e nem nos damos conta. Ifood, Apple, PicPay, Spotify, Pix... a propósito, por falar de transformação social, você ainda anda com cédulas de dinheiro na carteira??? Essas inovações, certamente, vieram para ficar e se transformaram no novo status quo. E aí também mora um perigo desafiador, pois o fato de uma marca ter sido inovadora em um determinado momento, não assegura que ela seja percebida permanentemente como disruptiva (termo que também namora a linha dos jargões).
Retomando à Netflix, se durante um bom tempo ela navegou no oceano azul do segmento, hoje é constantemente ameaçada por tubarões ferozes como Disney Plus, Amazon Prime Vídeo, Globoplay, entre outros. Logo, não somente a Netflix, mas também a marca que você gerencia precisa inovar e se reinventar constantemente para gerar valor e continuar a produzir sentido na vida dos consumidores, sob o risco de ser mais uma empresa que sai de cartaz e ninguém se dá conta.
(*) Artigo escrito com a colaboração de Victor Mazzei, publicitário e professor universitário. Email: [email protected]

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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