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Mundo

O que significa a volta da direita ao poder em Portugal?

A principal questão é a da imigração em Portugal. Sem dúvida nenhuma, é a mudança de discurso e também na prática do PSD em relação às medidas restritivas à imigração

Publicado em 18 de Julho de 2025 às 04:00

Públicado em 

18 jul 2025 às 04:00
Fernando Manhães

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Fernando Manhães

No mês de maio deste ano, ocorreram novas eleições em Portugal e o partido - Partido Social Democrata – coligado com mais dois partidos ele voltou a comandar o governo português com uma maioria simples no parlamento, tendo à frente como primeiro-ministro Luís Montenegro. Após 14 meses no poder, o primeiro-ministro teve seu governo desfeito por quebra de confiança e por isso, novas eleições foram convocadas.
Foi uma vitória mais folgada sobre seu rival PS - Partido Socialista, em relação às eleições anteriores. Nesse pleito, sem dúvida nenhuma, o OS foi o maior derrotado. Por outro lado, o principal vitorioso foi novamente o Chega, partido de extrema-direita que saiu de 50 para 60 deputados, um crescimento espantoso, num espaço menor do que dois anos, tendo em vista que nas eleições de 2024 eram apenas 12 deputados.
Mas o que está por traz dessa nova vitória do centro-direta em Portugal? A governabilidade atual do país. De um lado, o primeiro-ministro Luís Montenegro diz que não governará contando com o apoio do Chega. Por outro lado, ele não terá a maioria absoluta para governar o país e precisará contar com o apoio do próprio PS, derrotado nas eleições.
Pelo sistema político português, o partido que governa sem maioria formalizada precisa de apoio para aprovar o orçamento do Estado. Fato que, se não ocorrer, poderá provocar a dissolução do Parlamento novamente, e levar a novas eleições em 2026. Exatamente como ocorreu agora.
No fundo, duas grandes dúvidas pairam no ar: a primeira, o que fará o PSD de diferente para promover as promessas de campanha com uma maioria simples, e a segunda, como conter o avanço do Chega visando às próximas eleições, mesmo sem saber quando exatamente elas vão ocorrer.
Então, que lição podemos tirar desse segundo mandato do PSD? A principal questão é a da imigração em Portugal. Sem dúvida nenhuma, é a mudança de discurso e também na prática do PSD em relação às medidas restritivas à imigração. Fato que prejudica vários brasileiros em condições irregulares no país. Entretanto, é importante lembrar que não visam exclusivamente aos brasileiros. Visam restringir também a entrada de estrangeiros da Ásia e África, principalmente Índia, Paquistão e Bangladesh.
A outra questão: o Chega surge, definitivamente, como a segunda força do parlamento e nas próximas eleições disputará a liderança de governo com o enfraquecimento da esquerda e a inapetência do centro-direita em atacar e resolver os reais problemas de Portugal.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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