O caso Apex tem tomado diariamente os noticiários da mídia capixaba. Como se sabe, trata-se da mais grave crise financeira da maior plataforma de investimentos do Espírito Santo, evolvendo as empresas da Apex Partners.
As investigações e análises, segundo a imprensa, apontam que o grupo assumiu “compromissos financeiros de alto risco, incluindo garantias de rendimento fixo em operações variáveis que geraram desencaixes insustentáveis”, culminando com a destituição de parte da diretoria do grupo.
Após uma tutela cautelar inicial concedida pela Justiça em agosto de 2026, a Apex Partners protocolou um pedido formal de recuperação judicial em setembro buscando reestruturar suas dívidas e proteger os ativos das quase 8 mil pessoas e investidores.
Ainda segundo o noticiário, o processo enfrenta grande complexidade técnica, contestação de investidores das Sociedades em Conta de Participação e tentam blindar imóveis e ativos específicos da recuperação.
Pois bem, é praticamente impossível sabermos ao certo o que ocorreu sem que uma investigação apure corretamente o que de fato ocorreu e se posteriormente a Apex Partners terá condições financeiras de voltar a operar. Isso a justiça se encarregará.
O caso aqui em questão é perceber se a empresa terá condições de sustentar e recuperar a imagem. No Brasil temos alguns exemplos de grandes empresas que se envolveram em escândalos financeiros que continuaram a operar.
Por exemplo, temos o emblemático caso dos Correios no Mensalão e o da Odebrecht no Petrolão. No primeiro caso, uma empresa estatal que deixou o posto de empresa pública mais admirada pela população para empresa mais desgastada e com um rombo sem fim e a segunda trocou de nome para Novonor e assim tentar sobreviver aos arranhões mortais do maior escândalo de corrupção no Brasil até a chegada do caso do Banco Master.
Assim, terá condições a Apex de recuperar a sua imagem? O que a empresa tem feito para não comprometer o seu futuro? Pelo o que se vê, tem feito muito pouco. Fica evidente que nas primeiras semanas, após a divulgação do afastamento do presidente e diretor financeiro, uma gestão de crise foi acionada para debelar os primeiros impactos gerados na mídia.
Entretanto, a empresa tem se limitado a comunicados protocolares nas redes sociais ou mesmo notas para a imprensa. Um dos fundamentos na construção do valor das marcas é exatamente cuidar da sua reputação, da transparência, da satisfação ao mercado e da criação de valor.
O fato é que a Apex não tem conseguido fazer isso. É importante lembrar que poucos dias antes da divulgação do escândalo, a empresa fazia uma grande campanha publicitária divulgando as suas realizações e parecia uma empresa sólida e próspera.
Num setor tão sensível como o mercado financeiro, a governança e confiança são pilares fundamentais para empresas que pretendem atuar em alto nível. Fato que a Apex não conseguiu até o momento. E fica uma a pergunta no ar: mesmo resolvendo suas questões jurídicas e financeiras, terá condições de atuar e resolver o desgaste de sua imagem?