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7 de Setembro

Bandeira do Brasil precisa ser resgatada como símbolo da nação

Ela é de todos os que defendem a democracia como valor nacional a ser preservado, garantindo-se a higidez de suas instituições e rechaçando todo e qualquer golpe pelo qual se busque implantar um Estado autoritário

Públicado em 

07 set 2021 às 02:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

Bandeira do Brasil
Bandeira do Brasil: símbolo de todos Crédito: Pixabay
A linda bandeira brasileira, com sua cores fortes, vibrantes, de tonalidades marcantes, um dos símbolos mais festejados de nossa pátria, foi tomada de assalto como se pertencesse a um grupo específico de brasileiros, comprometidos com um dado projeto de nação que se anunciava, ético, anticorrupção, de homens supostamente probos, religiosos, amantes de Deus e da família, que prometiam romper com a cultura política de negociatas e defender a moral e a dignidade do povo.
Independentemente dos equívocos históricos que nos fizeram acreditar,  construindo um imaginário social idealizado, em que as cores de nossa bandeira estavam vinculadas as riquezas de nossas matas, ao nosso ouro e à abundancia de águas que corriam por nossos rios e mares e que o branco simbolizava a paz, nos acostumamos a olhar para a bandeira como parte de nosso ethos, nossa identidade, capaz de nos produzir emoções e sentimentos de pertencimento, para muito além dos momentos históricos de Copa do Mundo.
A bandeira, carregada de simbolismos das riquezas da pátria e também depositária de nossos sentimentos de soberania e unidade nacional, foi maculada, descaracterizada, conspurcada.
Foi manchada com o sangue dos quase 600 mil mortos pela Covid-19, com a humilhação sentida pelos milhares de desempregados, abandonados por uma economia que faz opção preferencial pela saúde financeira das grandes corporações e dos bancos, pela sanha consumidora que se alimenta da fome e da miséria concentrando renda e ampliando as desigualdades, pela vergonhosa engenharia da indústria religiosa que se alimenta da isenção tributária a templos para enriquecer as empresas paralelas de seus líderes religiosos.
Bandeira maculada pelas narrativas mentirosas sustentadas por homens pretensamente honrados, com históricos de ilibadas reputações que se venderam em troca de cargos enquanto redefinem seus discursos para adequá-los às expectativas presidenciais.
Bandeira maculada por representantes do povo ou de instituições constitucionalmente compromissadas com a democracia que se calaram deixando a “corda” esticar até o limite de sua capacidade desruptiva.
Democracia violada pelos pactos travados nos subterrâneos das instituições e das coligações espúrias, que consumiram a alma da nação esvaziando o sentimento constitucional de solidariedade, igualdade, respeito, justiça, verdade e busca pela paz.
A bandeira, que virou símbolo da direita ultraconservadora, concentradora de renda, violenta e violadora, que se utiliza da mentira para o alcance de seus objetivos, que empobrece a nação e que a entrega para os mesmos que sempre nos mantiveram colonizados, que olha para os pobres e miseráveis apenas como existentes para que possam exercer sua hipócrita misericórdia com a qual esperam alcançar o reino dos céus, precisa ser resgatada como símbolo da nação.
Registre-se que a ninguém foi dado o direito de propriedade sobre os símbolos da nação brasileira. A bandeira é de todos os brasileiros que de fato têm o Brasil como pátria amada a ser defendida e protegida.
Ela é de todos os que defendem a democracia como valor nacional a ser preservado, garantindo-se a higidez de suas instituições e rechaçando todo e qualquer golpe pelo qual se busque implantar um Estado autoritário, seja militarizado, seja comandado por milicianos, seja inspirado por fanáticos religiosos ou até por espíritos ensandecidos e enlouquecidos pelos sonhos delirantes de poder absoluto.
Hoje, 7 de setembro de 2021, com golpe, sem golpe ou apesar do golpe, precisaremos ressignificar o amor pela pátria, como chamamento à coragem, à dignidade e à luta, se necessário for, como resistência ao pacto indigno que nos fez chegar até aqui, condição vergonhosa que permitiu que a nação fosse humilhada e quedasse hoje cabisbaixa e ajoelhada diante do mundo.
Que a bandeira verde, amarela, azul e branca, linda!, nos sirva, neste 7 de Setembro, a repensar nosso compromisso constitucional com a democracia, com a paz e com a igualdade.

Elda Bussinguer

Pós-doutora em Saúde Coletiva (UFRJ), doutora em Bioética (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitária

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