A extrema-direita é a grande vencedora das eleições no Brasil, independentemente do segundo turno. Não há o que negar ou justificar. A nós basta aceitar e respeitar a vontade popular manifestada nas urnas.
A nova configuração do poder aparece nas cadeiras da Câmara e do Senado e no mapa do Brasil, em azul bolsonarista e vermelho petista, conforme os estados sejam governados por candidatos alinhados ao bolsonarismo ou por progressistas alinhados a Lula.
Essa arquitetura evidencia a eficiência de um projeto desenhado, executado e anunciado de longa data, à vista de todos, mas não devidamente avaliado por quem deveria considerar os riscos de sua concretização.
Nada foi feito às escondidas. O projeto foi anunciado por lideranças bolsonaristas e religiosas vinculadas à teologia do domínio: “Vamos ocupar o poder e o faremos de forma radical, sem que haja qualquer possibilidade de questionamento ou interrupção estratégica”.
Ao dominar o poder político e religioso, ainda que subjugada ao poder econômico de grupos nacionais e internacionais, liderados por Donald Trump e pelas Big Techs, a extrema-direita brasileira se impõe, deixando, ao menos de imediato, o campo progressista nocauteado e sem reação.
Não é fácil virar o jogo quando se é pego de surpresa, o tempo é curto e os jogadores estão machucados, sem fé, forças ou coragem. Mas não é impossível: alguns grupos só se mobilizam quando percebem que é tudo ou nada.
Lutar pela democracia, pela Constituição e pela soberania nacional, pela preservação das instituições democráticas, ainda que precisem ser purificadas, e pela justiça social é nosso dever como cidadãos e cidadãs de bem, que verdadeiramente fazem jus a esse nome.