Nos últimos tempos, ao menos dez atentados graves fizeram vítimas e disseminaram o terror em escolas pelo Brasil. Locais que deveriam ser de acolhimento e aprendizado, um porto seguro, tornaram-se alvos de ataques e massacres. Ataques como os ocorridos em Aracruz no fim de 2022 e na creche em Blumenau têm se tornado mais frequentes no Brasil. Haveria alguma explicação?
Em primeiro lugar, o que chama atenção e é digno de nota é a mudança na dinâmica das relações sociais. Ao longo do tempo, a figura do professor foi sendo cada vez mais desprezada em vez de valorizada. Não é incomum que a autoridade do professor dentro da sala de aula seja, de forma contumaz, questionada e atacada não apenas por alguns alunos, mas até pelos pais de alguns deles.
Nesse sentido, cabe lembrar que, principalmente nos últimos anos, setores mais conservadores tentam dissuadir que os professores realizariam ideologizações tidas como indevidas dentro da sala de aula. Quando, na verdade, o papel do docente e da educação é possibilitar que os alunos tenham condições de, por si próprios, firmar suas escolhas e convicções com base nos mais amplos conhecimentos disponíveis. Não há como dissociar esse movimento extremista, que coloca os professores como “doutrinadores com partido”, da violência dentro das escolas.
Em segundo lugar, também é digna de atenção a questão da saúde mental dos brasileiros. Diversos levantamentos mostram que o número de pessoas com problemas de ordem mental no Brasil tem crescido, sobretudo após a pandemia. Isso sem contar que o país caiu no ranking de percepção mundial da felicidade.
Ainda que a inimputabilidade penal não seja consequência lógica e direta de todo e qualquer transtorno mental, fato é que muitos crimes poderiam ser evitados caso houvesse um incentivo maior à busca por cuidados com a saúde mental. O acesso aos cuidados de saúde mental deveria assegurado desde o ambiente escolar, seria uma verdadeira ação de redução de riscos e de danos.
Em meio a esse cenário um tanto quanto caótico, nos últimos anos ocorreu uma ampla facilitação no acesso às armas de fogo, precedida de ampla campanha dos armamentistas no afã de convencer a sociedade de que armas seriam aliadas no combate à inquestionável violência e, até mesmo, pasmem, que as armas serviriam para “assegurar a democracia”.
O resultado disso pode ser visto nas inúmeras tragédias familiares de acidentes com armas de fogo e, até mesmo, em casos mais extremos como nos atentados às escolas. O culto às armas e a aversão ao conhecimento não poderia fazer bem a nenhum país.
Se não bastasse, sobretudo nos últimos anos, com o recrudescimento de falas e comportamentos discriminatórios e intolerantes em geral, o clima de ódio alimentou de modo preocupante os movimentos neonazistas e fascistas no Brasil. A tentativa dos extremistas de convencer que tudo se resolve na base da bala ou da porrada não contribui para a pacificação nacional. Na verdade, muito pelo contrário!
Discursos de ódio e intolerância contra a diversidade e contra quem pensa diferente geram mais violência. Não adianta plantar laranjas e querer colher morangos. Era previsível que a defesa da violência, a exaltação das armas, a negação do saber científico e a perseguição a professores não poderia gerar bons frutos. Os resultados estão aí.
Diante disso, não há como não se preocupar com o futuro. Como diz a propaganda na TV: “Quando uma criança cresce com a violência, a violência cresce com ela”. Que futuro queremos para as crianças e para nossa sociedade? Ódio ou tolerância? Pacificação ou beligerância?