Profissionais que trabalham na Vale estão apreensivos se eles irão receber em março, como era previsto, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao ano de 2018. O receio é que os empregados fiquem sem a bonificação, assim como aconteceu com os executivos da companhia, que tiveram o pagamento de remuneração variável suspenso, e também com os acionistas, que não vão ganhar dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP).
A suspensão de alguns pagamentos foi definida no último domingo (27), pelo Conselho de Administração, em função do rompimento da barragem. Desde a tragédia, a mineradora já teve bloqueado pela Justiça R$ 11,8 bilhões.
Justamente em função desses bloqueios - que representam cerca de metade de todo o caixa da Vale, conforme dados publicados no balanço do terceiro trimestre de 2018 - que empregados da mineradora temem ficar sem receber a PRL.
Embora exista a preocupação, o assunto é tratado de forma muito delicada pelos profissionais, afinal, ninguém quer parecer ser mesquinho em meio a essa tragédia sem precedentes. Pelo contrário, conforme a coluna apurou, empregados da unidade capixaba, em Tubarão, estão muito abalados com o que aconteceu em Minas e incrédulos de que um acidente com essa proporção tenha ocorrido.
“Mas é inevitável pensar nisso (na suspensão do pagamento), afinal teve muita gente que assumiu compromissos financeiros pensando que receberia a PLR em março. Não é o meu caso, mas muita gente fez dívida e está desesperada”, relata um empregado da companhia.
Em 2018, os empregados receberam o valor médio de 6,7 salários, PLR recorde. O valor deste ano não foi informado. Procurada, a Vale não respondeu aos questionamentos da coluna.