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Reserva mineral

Petrobras busca interessados em explorar sal-gema

Estatal é dona no Espírito Santo da maior reserva de sal-gema do Brasil

Publicado em 16 de Setembro de 2019 às 21:19

Públicado em 

16 set 2019 às 21:19

Colunista

Sede da Petrobras em Vitória, Espírito Santo Crédito: Vitor Jubini
O atual momento vivido pela Petrobras, de focar seus trabalhos e investimentos na exploração e produção de petróleo e gás, especialmente no pré-sal, pode abrir uma janela de oportunidades gigantesca para o Espírito Santo.
Não são apenas refinarias, dutos e campos terrestres os ativos nos planos de serem vendidos pela estatal, as reservas minerais também passaram a fazer parte dessa potencial lista. E é aí que entra o Estado. A companhia tem hoje a maior reserva de sal-gema do Brasil e uma das maiores da América Latina no município de Conceição da Barra, além de jazidas em São Mateus e Ecoporanga, que juntas representam mais de 60% de toda a reserva brasileira de sal-gema.
A ideia da Petrobras é passar as áreas para outras empresas que tenham o interesse em realizar a exploração. É o que garante o deputado federal Felipe Rigoni (PSB). Ele se reuniu com técnicos da companhia que adiantaram esse interesse. À coluna, o parlamentar contou que, em reunião com o gerente executivo de relacionamento da Petrobras, Fernando Borges, e com o gerente de relacionamento institucional, João Romeiro, eles afirmaram que a estatal está procurando interessados em comprar as jazidas.
"A Petrobras não vai explorar essas reservas. A atividade não tem nada a ver com o que a empresa faz hoje. Eles têm total disposição de passar o direito de exploração. A nossa missão é achar investidores"
Felipe Rigoni - Deputado Federal (PSB-ES)
Para Rigoni, o primeiro passo é identificar interessados. A partir daí, eles serão apresentados à Petrobras para que possa ser estudada a transferência das áreas, avaliando inclusive normas junto a órgãos ambientais, de regulação e controle.
O deputado considera essa pré-disposição da petroleira de vender seus ativos minerais como uma grande chance de o Espírito Santo diversificar sua economia. “Você tem uma riqueza não explorada que pode vir a ser propulsora do desenvolvimento no Norte. Uma vez instalada essa exploração, ela pode estimular a vinda de indústrias para o Estado”, ponderou ao citar que essa cadeia tem potencial de gerar mais de 10 mil empregos.
A coluna conversou também com o engenheiro químico e ex-funcionário da Petrobras José Brito de Oliveira, que chegou a conhecer o projeto da exploração do sal-gema, descoberto há mais de 40 anos no Norte capixaba. Para ele, seria um ótimo negócio o Estado desenvolver a proposta. O especialista explica que há um grande mercado na área, que vai muito além do da alimentação, o mais conhecido. “Mercado tem demais. Não só o da alimentação, mas também nas áreas química, agropecuária, industrial. Aqui mesmo no Estado, a Suzano (ex-Fibria) é uma consumidora do produto. Para se ter uma ideia, 45% do sal do mundo é destinado para o mercado industrial.”
Brito lembra de anos atrás, quando a equipe da Petrobras fez estudos sobre as reservas. Na época, a empresa considerava viável a exploração, mesmo com a complexidade ambiental requerida, e calculava um custo de venda de 22 dólares por tonelada, o suficiente para competir com a indústria chilena, que cobrava de clientes do Brasil 38 dólares a tonelada, 16 da extração e 22 do transporte.
“Lá no Chile a extração é mais barata porque eles têm uma mineração de superfície. Mas mesmo com o custo aqui de US$ 22, nós temos a vantagem do frete”, observou ao citar que São Paulo até hoje importa o sal do Chile.
Por que então a exploração dessa riqueza nunca foi para frente? Segundo especialistas, um dos motivos teria sido o forte lobby, anos atrás, de políticos e empresários do Rio Grande do Norte que temiam que o desenvolvimento deste mercado no Espírito Santo abalasse os negócios por lá. E diante da grande interferência que o governo federal exercia sobre a Petrobras, a decisão de tocar a exploração por aqui nunca vingou.
Para quem entende do assunto, há mercado suficiente para os dois Estados. O cenário atual já é de uma Petrobras bem diferente, em que não faz sentido querer abraçar todas as áreas. Algo que tem ficado cada vez mais claro nos planos de negócios. E, com um governo mais liberal, a interferência política tende a ser reduzida. Motivos para otimismo existem. Agora, faltam aparecer os interessados.

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