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Beatriz Seixas

Largada no ES é de ambiente favorável à reforma

Governador Casagrande tem assumido cada dia mais a defesa pela reforma da Previdência local, e parlamentares já dão sinais de que concordam com a mudança de regras

Publicado em 14 de Julho de 2019 às 20:42

Públicado em 

14 jul 2019 às 20:42
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Depois de se manter por um bom tempo esperançoso de que as novas regras da Previdência para os servidores estaduais seriam implantadas por aqui a partir das decisões tomadas em Brasília, o governador Renato Casagrande (PSB) precisou mudar a linha dessa expectativa e também a rota da sua estratégia.

No dia 2 de julho, quando o relator Samuel Moreira (PSDB) anunciou que a nova proposta excluía Estados e municípios, o socialista deu sua primeira declaração pública admitindo que o cenário não era favorável. E, na última quarta-feira, 10, após a aprovação do texto-base na Câmara dos Deputados, em entrevista para A GAZETA, afirmou que a sua equipe já está trabalhando para que, até setembro, apresente as mudanças que serão necessárias para reduzir o rombo de quase R$ 2,5 bilhões, por ano, da Previdência local.

Claro que Casagrande, até pelo seu jeito reconhecidamente otimista e como forma de pressionar de alguma maneira os parlamentares, continua a afirmar que ainda há chance das regras se estenderem aos demais entes da federação, especialmente quando o texto chegar ao Senado. Mas longe dos holofotes, ele passou a dar sinais mais claros de que não terá para onde correr e que também não pretende se esconder do problema.

Entre empresários e lideranças, o governador tem falado abertamente que o debate tem que acontecer e que a reforma será feita aqui, por mais polêmica e impopular que ela seja.

Considerando que hoje, dos R$ 17 bilhões do orçamento do Estado quase 15% são destinados para cobrir o déficit previdenciário de aproximadamente 40 mil servidores inativos e pensionistas, Casagrande não poderia adotar postura diferente se deseja manter o Espírito Santo como referência do país na gestão fiscal.

Mas não deixa de ser curioso que ele, como um dos caciques do PSB – partido que fechou questão contra a reforma previdenciária – vá liderar um movimento por novas regras nas aposentadorias.

Se esse envolvimento do governador se mantiver crescente e ele construir um texto que permita o ES estancar o ralo de gastos com a folha de pagamentos dos aposentados, Casagrande dará uma demonstração de que é possível não repetir os clichês políticos e deixará a mensagem de que ele entende que o seu governo é passageiro, mas o Estado é perene e precisa avançar.

Sozinho, entretanto, o governador não consegue mudar nada. Ele vai precisar contar com a Assembleia Legislativa. Até agora, os sinais que vêm do parlamento estadual são favoráveis ao debate. No último domingo, em entrevista à coluna, o presidente da Casa, o deputado Erick Musso (PRB), afirmou estar pronto para ajudar nesse processo e defendeu uma ampla discussão em torno das novas regras da aposentadoria. Chegou a falar em pacto pela reforma estadual, enfatizando como a redução do déficit é questão inadiável.

Matéria publicada na edição de Economia de ontem reforça que o caminho pode ser menos tortuoso do que se imaginava em um primeiro momento. Dos 30 deputados, 14 já se mostraram inclinados a aceitar as alterações na Previdência estadual, ainda que elas estejam na fase de construção pela equipe do Palácio Anchieta.

Somente um parlamentar, a petista Iriny Lopes, se posicionou contrária a mudanças. Mas, neste caso, não há nenhuma surpresa. Os outros 15 legisladores preferiram não responder à reportagem de A GAZETA ou disseram que ainda é cedo para se posicionar.

De qualquer modo, considerando que são necessários pelo menos 18 votos para o governo conseguir aprovar mudanças no regime previdenciário local, a largada se mostra favorável.

Claro que não dá para ignorar que estamos tratando de um tema que é e sempre será espinhoso e que envolve categorias bem organizadas com alto poder de pressão. Mas integrantes do governo, deputados, servidores e a sociedade em geral devem lembrar de um ponto: enquanto o caixa do Tesouro Estadual precisar aportar R$ 2,4 bilhões por ano para atender a uma classe de 40 mil pessoas, ele estará deixando de cuidar de outros 4 milhões de capixabas.

AMERICANA ATRÁS DE FORNECEDORES DO ES

Plataforma de produção de petróleo

A americana Epic Applied Technologies, vencedora da licitação para desmontar três plataformas fixas no campo de Cação, Litoral Norte do ES, já começou a procurar as empresas capixabas para serem potenciais prestadoras de serviços. A notícia animou os fornecedores por aqui.

Segundo o coordenador do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás, Durval Vieira, o descomissionamento das estruturas será o primeiro do país e abre uma frente de oportunidades. “Queremos nos transformar em uma base tecnológica e ser referência nesse tipo de trabalho. Se alcançarmos esse patamar, podemos aproveitar os negócios que vão surgir. Só para os próximos 5 anos, devem ser desmontadas de 20 a 30 plataformas no Brasil”.

DE MUDANÇA

O gerente de Relações Institucionais da Suzano, Pedro Torres, vai deixar a companhia e o ES. Ele está arrumando as malas para se mudar para São Paulo e assumir novo desafio na Gerdau.

SAÍDA SUSTENTÁVEL

As empresas Waterfarm e TechHunters estão apostando no uso consciente da água e na redução de custos nos negócios para trazer um novo produto para o mercado. Elas lançaram uma máquina que é capaz de transformar o esgoto em água. O equipamento, com capacidade para tratar até 80% do efluente e processar até 10 mil litros por hora, tem o foco em indústrias, condomínios, shoppings e prefeituras. Com uma oferta cada vez menor e instável de água, fruto de estiagens, essa pode ser uma boa alternativa para consumidores de médio a grande porte. Até o momento, há três clientes em potencial em negociação.

JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR

Nome: Erisson Matos

Empresa: Yes Showroom

No mercado: Há dez anos

Negócio: organização de showrooms B2B para o setor de móveis, eletros e colchões.

Atuação: Em todas as regiões do Brasil

Funcionários: 15

Economia: Em tempos difíceis, criatividade e paciência. Em tempos melhores, apenas criatividade.

Pedra no sapato: O Custo Brasil.

Tenho vontade de fechar as portas quando: A falta de vontade política sobrepõe os interesses do mercado.

Solto fogos quando: Um projeto roda em alta performance e a felicidade fica estampada nos sorrisos dos nossos visitantes.

Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: A percepção sobre alguns valores.

Minha empresa precisa evoluir em: Alguns processos internos e sempre em tecnologia.

Se começasse um novo negócio seria...: Continuaria na prestação de serviços para o varejo. Não tem jeito: o setor corre nas minhas veias.

Futuro: Quem organiza eventos já vive no futuro!

Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Abílio Diniz, pela vitalidade e ousadia.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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