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Beatriz Seixas

Hartung defende que Estados reforcem ações para segurança ambiental

Ex-governador diz que locais com atividades mineradoras devem se unir

Publicado em 25 de Janeiro de 2019 às 19:20

Públicado em 

25 jan 2019 às 19:20
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo Crédito: Carlos Alberto Silva
O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (sem partido) classificou o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, como gravíssimo e disse à coluna que o episódio vai requerer a união e uma atenção mais apurada dos entes ligados ao segmento minerador.
Para ele, órgãos ambientais, governo federal e governos estaduais, onde existem minas e atividades desse setor, vão necessitar ter um olhar mais de perto e aprofundado com as empresas e as atividades nessa área. “ Acredito que não tem outro jeito. Vai ter que haver uma ação reforçada do governo central e dos governos estaduais onde existem processos de exploração de minas. Afinal, em apenas três anos e um pouquinho é o segundo acidente de grandes proporções que acontece. É um espaço de tempo muito pequeno”, ponderou se referindo à tragédia que aconteceu em novembro de 2015, quando a barragem da Samarco (controlada pela Vale e BHP), em Mariana (MG), se rompeu deixando 19 mortos, e um rastro de impactos e prejuízos para milhares de famílias mineiras e capixabas.
Hartung disse que, embora ainda não se saiba sobre a exata proporção deste acidente, a reincidência é muito grave. “Independentemente da dimensão, isso voltar a acontecer depois do desastre de Mariana merece o repúdio de toda a sociedade. O desastre de 2015 foi tão grave que a pautou as mineradoras do Brasil para que reforçassem as seguranças de suas barragens, mas aí, justamente a nossa maior mineradora, a Vale, que é sócia da Samarco, é a responsável por essa barragem que foi destruída hoje. Isso é gravíssimo.”
O ex-governador lembrou que a tragédia aconteceu durante o seu mandato e que os impactos para o Espírito Santo são sentidos até hoje. Com uma participação de quase 6% no PIB capixaba, a Samarco continua com as atividades interrompidas e vários municípios do Norte, a exemplo de Colatina, Baixo Guandu, Marilândia e Linhares, sofreram com impactos ambientais, sociais e econômicos. “Eu lamento como brasileiro e como um brasileiro que conviveu de perto com esse desastre. Tive que administrar todos os impactos e trabalhar junto com o governo de Minas na busca pelo ressarcimento dos afetados. Lamento profundamente pelo episódio.”
Impactos no Estado
Paulo Hartung explica que os reflexos para a planta industrial da Vale no Estado deverão ser menores do que os reflexos sofridos pela Samarco, em Anchieta. Segundo ele, as usinas de Tubarão têm abastecimento por transporte ferroviário e de minas diversificadas. “A planta de Tubarão não é dependente de uma mina só. O impacto de Mariana foi muito diferente. A lama veio para o nosso território, trouxe prejuízos para o Rio Doce e para a nossa população, e junto com isso houve a paralisação da Samarco. No caso de agora, acredito que o impacto para os capixabas vai ser na imagem da companhia. Ela deve se desvalorizar no mercado de capitais e vai ter que pagar por esses danos, ou seja, será afetada financeiramente e sai com sua imagem gravemente comprometida.”
 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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