A semana que passou começou tumultuada no governo Casagrande com o envio e a aprovação do projeto que concede a anistia aos mais de 2,6 mil policiais militares que respondem a procedimentos administrativos pela traumática greve da PM de fevereiro de 2017. Mas se para população e policiais ainda há muito o que ser esclarecido e justificado, para o governo não dá para ficar debruçado somente em uma agenda que carrega consigo tamanho desgaste.
Passada a aprovação do projeto, na última quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa, o socialista e sua equipe trataram de investir em pautas positivas de modo a encerrar a semana revertendo uma possível imagem arranhada, não só aqui no Estado, como nacionalmente.
Na quinta-feira, dois investimentos foram anunciados para o Espírito Santo: R$ 30 milhões na construção de uma fábrica de laticínios em Rio Novo do Sul e R$ 3,1 bilhões na implantação de um porto em São Mateus. Na sexta-feira, foi a vez do governador anunciar que, neste ano, a frota do Transcol vai passar a contar com 100 ônibus com ar-condicionado.
Desses eventos, destaco aqui o do porto, que chamou a atenção por diversos fatores, a começar pela dimensão que a cerimônia tomou. Para muitos, inclusive integrantes do governo, a assinatura do memorando de entendimento entre o Executivo, a Prefeitura de São Mateus e a Petrocity seria como tantas outras, com algumas autoridades e os envolvidos diretamente no negócio.
Mas o que se viu no Palácio Anchieta foi um megaencontro, com centenas e centenas de convidados. Tanto é que a apresentação do negócio aconteceu no Salão São Tiago, que estava lotado, deixando até mesmo pessoas de pé durante a cerimônia que durou cerca de duas horas. Antes disso, na chegada, a fila para entrar no Palácio se estendia até a rua. Uma das pessoas que aguardava ao sol questionou ao colega que o acompanhava: “Será o beija-mão do governador?”, brincou.
O que parecia era que o porto já estava sendo entregue e não apenas que tratava-se da apresentação do projeto, que inclusive não chega a ser uma grande novidade - em 2013, também no governo de Casagrande, o projeto foi divulgado pela Petrocity, que na época tinha um príncipe como sócio. Desde então não houve muitos avanços, a não ser a saída do saudita Khaled Bin Alwaled Alsaud e a remodelagem do empreendimento, justamente o que foi mostrado para a plateia.
Passada a aprovação do projeto de anistia aos policiais militares, Casagrande e sua equipe trataram de investir em pautas positivas de modo a encerrar a semana revertendo uma possível imagem arranhada
Na coluna da última sexta, abordei questões que envolvem o terminal, como a importância que ele pode representar para o desenvolvimento da infraestrutura capixaba, mas também as ressalvas que o cercam em relação à sua efetivação, pelo menos dentro dos cronogramas colocados. Na coluna de hoje, entretanto, volto para os bastidores deste anúncio, que não só reuniu autoridades capixabas como representantes de Minas Gerais.
Vereadores, deputados, prefeitos e empresários mineiros ajudaram a lotar o espaço. A presença deles era justificada pelo fato de o projeto do Complexo Portuário de São Mateus contar ainda com a proposta de construção de uma ferrovia, ligando a cidade do Norte capixaba a Sete Lagoas (MG). A verdade é que até o governador foi surpreendido com a quantidade de gente. Ele chegou a brincar com a situação: “Achei até que seria o lançamento da sua candidatura”, disse Casagrande ao CEO da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, deixando transparecer que o empresário, juntamente com outras lideranças do Norte capixaba, eram os organizadores da festa.
Mesmo que o chefe do Executivo não estivesse esperando por tamanha cerimônia, ele cumpriu seu papel de gestor e fez do limão uma limonada. Em seu discurso, frisou que o Estado estimula o desenvolvimento da infraestrutura e que a cada passo que a Petrocity desse, o governo daria outro, reforçando o seu compromisso com o investimento. Aproveitou para dizer que continuará com uma gestão fiscal responsável, mas sem deixar obras paradas, e não perdeu a oportunidade de cutucar o governo passado. “Vamos governar por quatro anos. Não vou só governar no último ano do mandato.”
Ainda não sabemos quando e se os investimentos no porto e na ferrovia serão efetivados. De concreto, por enquanto, temos apenas a mobilização política que se viu naquela quinta-feira.
Preços destemperados
O ano de 2018 não foi muito generoso para os apreciadores da moqueca capixaba quando o assunto é inflação. Os principais itens que fazem parte da receita tiveram alta no Estado. O preço do tomate mais do que dobrou em relação a 2017 (104,25%).
Também ficaram mais salgados os valores da cebola (+15,12%), dos peixes dourado (+11,86%) e cação (+3,04%), do azeite (+9,27%) e do alho (+4,60%). Apesar de indispensáveis na receita, o IBGE não trouxe dados da inflação do limão e do coentro no Espírito Santo. Opção de peixe muito usada na produção do prato, o badejo, foi a exceção entre os ingredientes, com leve queda de 0,6%.
Até a banana-da-terra, servida como acompanhamento, não escapou da alta dos preços, com avanço de 8,54%. Uma saída para aliviar o bolso pode ser trocar a moqueca pelo peroá, que em 2018 ficou 11,7% mais barato.
Energia e contas sustentáveis
O uso de energias renováveis vem ganhando espaço no Estado. O Ifes, por exemplo, já está com uma usina fotovoltaica pronta para operar no campus da Serra. Aguarda apenas a homologação junto à concessionária. A nova estrutura, que recebeu investimentos de R$ 490 mil, vai permitir uma economia média de 40% na conta de luz. Os campi de São Mateus, Montanha e Nova Venécia também adotarão a fonte de energia sustentável em 2019, reduzindo as despesas em 20%. E a expectativa é que outras 17 unidades do Ifes passem a ter a estrutura nos próximos anos. O orçamento e o meio ambiente agradecem!
Deu branco
A tarifa branca – opção que sinaliza o valor da energia conforme o dia e o horário de consumo e pode render uma economia de até 17% na conta – não emplacou aqui no Estado. Desde que o sistema implantado pela Aneel passou a valer, em 2018, somente 65 dos 1,5 milhão de consumidores da EDP aderiram à modalidade. Segundo especialistas, para gerar resultado para o meio ambiente, a adesão precisa ser muito maior.
Não era para cair?
Da época dos protestos contra o aumento da passagem de ônibus, em junho de 2013, até hoje, o bilhete do transporte público municipal de Vitória passou de R$ 2,45 para R$ 3,75, uma alta de 53%. No mesmo período a inflação acumulada foi de 38%.
Ânimo com a economia
O presidente da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Baptista (foto), diz estar otimista com as perspectivas para a economia nacional em 2019. Para ele, o consumo de aço vai aumentar neste ano, influenciado por fatores como a retomada da construção civil e da venda de veículos.
Sem desperdício
A avaliação do executivo foi feita na última sexta-feira, no Estado, durante apresentação do investimento de R$ 50 milhões em uma usina de dessalinização na planta de Tubarão. Na ocasião, ele citou que a companhia, que é a maior consumidora de água doce do Espírito Santo, já adotou todo o tipo de ação para economizar e reaproveitar a água e brincou: “Já falei com a equipe que só quero perder água por evaporação”.