A definição de candidatos a prefeituras e câmaras de vereadores às eleições é momento oportuno para se pensar sobre que cidades desejamos. Independentemente do tamanho, a cidade é espaço privilegiado para encontros de pessoas no exercício de diversas dimensões da vida social. Morar, estudar, trabalhar, exercer atividades culturais, políticas, ligadas à cultura e ao lazer, se intensificam em cidades e por isso as transformam em espaços de atração e permanente ebulição.
Quem quer representar a cidadania no legislativo e no executivo municipal – em princípio – se dispõe a estabelecer a necessária convivência entre forças antagônicas que atuam em um espaço comum. Interesses econômicos/sociais/culturais diversos - sem necessariamente serem convergentes - precisam ser intermediados pelo diálogo politico que busque construIr consensos.
O nível municipal – por estar mais diretamente ligado ao dia a dia da cidadania – é aquele em que a participação social mais pode ser exercida. O voto a cada quatro anos pode ser um momento ímpar para o exercício do salutar confronto entre ideias e projetos sobre a cidade a que se propõem contribuir para construir candidatos à prefeitura e à vereança.
Enquanto espaço socialmente forjado, a cidade deve refletir vontades articuladas de seus moradores. Por exemplo, que vontades pretende articular o candidato a prefeitura ou à câmara de vereadores: as por uma cidade que privilegia a passagem de veículos? Aquelas que buscam facilitar encontros entre pessoas? As que buscam priorizar quem circula em automóveis? As que privilegiam quem por ela caminha, se desloca em bicicleta ou em transporte público de passageiros?
Cada resposta resultará em uma forma de alocar recursos das receitas municipais: obras voltadas para o ambientalmente insustentável automóvel; para faixas exclusivas para bicicletas e ônibus; para calçadas e praças que facilitem e estimulem encontros; para ruas mais largas, viadutos e outras obras 'de vulto'.
A proposta a ser defendida pelo candidato busca identificar áreas de expansão para atividades de lazer, cultura e convívio social? Se colocará ao lado de interesses que entendem a cidade como locus privilegiado para o adensamento imobiliário? ‘ Selvas de pedra’ surgem e se consolidam quando a legislação e a gestão da cidade se colocam como defensores de interesses de alguns poucos em detrimento de uma cidade mais coesa e socialmente justa.
Todas as discussões sobre alternativas para uma cidade melhor para todos devem levar em conta possibilidades de no âmbito local serem feitos enfrentamentos de crises que atigem a humanidade como um todo. Muito pode ser feito em cidades de todos os portes como resposta à emergência climática (plantio de árvores, por exemplo); à questão da soberania e segurança alimentar (hortas comunitárias, por exemplo); à crise das águas (recuperação de nascentes, de riachos, utilização de águas das chuvas, por exemplo); à crise energética (estabelecimento de fontes de energias alternativas para o atendimento de territórios específicos).
Que a escolha de candidatos seja um rico exercício de cidadania para quem vota e para quem se dispōe a se candidatar. Cidadania para além do ato burocrático de votar e ser votado ė (des)envolvimento.
É ir além de modelos de gestão superados para dar vez a cidades que sejam inclusivas: do diverso e da pluralidade de sua gente; da valorização do que elas têm de beleza natural; do encontro entre gente e natureza por um outro mundo possível.