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Saneamento

"Se essa água fosse minha": caminhos diversos para enfrentar questões complexas

Bem-vindas sejam ações como as propostas pela iniciativa 100 mil jovens pelas águas, voltada para quem está em escolas. Saudadas sejam iniciativas como a exposição 'Se esse rio fosse meu' montada no Instituto Nacional da Mata Atlântica.

Publicado em 14 de Julho de 2022 às 16:13

Públicado em 

14 jul 2022 às 16:13
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

As tentativas de buscar soluções únicas para o encaminhamento de problemas que tem múltiplas causas são sempre frustadas. Mais do que a frustração de quem acreditou em um 'milagre' são os custos econômicos e sociais incorridos sem os resultados esperados.
A questão do saneamento básico ilustra bem frustrações, custos e baixa resolutividade da busca de uma única solução. No abastecimento de água, no tratamento de esgoto ou na coleta e tratamento de lixo, objetivos traçados com metas ambiciosas baseadas em soluções técnicas adequadas têm lamentável histórico de fracassos.
Fracassos de planos nacionais ambiciosos; fracassos da opção pelo mercado como alternativa única para a condução de decisões econômicas. O resultado desses fracassos são perda de credibilidade política, perda de eficiência econômica e, principalmente, uma grande parte da população sem atendimento adequado dos serviços de saneamento básico.
No caso de fornecimento adequado de água, elemento essencial à vida humana e dos demais seres viventes, a questão beira a crueldade. Por um lado, pela concentração do destino para algumas atividades empresarias de bem primordial à existência de gente e outros seres vivos.
Por outro, pela tentativa de imputar o ônus da solução a quem contribui menos para o problema. Diante da reconhecida gravidade da questão da água em praticamente todos os lugares, o encaminhamento dado pelas políticas baseadas na crença ilimitada nos poderes do mercado é transformá-la em mercadoria.
Ou seja, consome quem pode pagar. Essa lógica perversa adotada pelo governo atual e sua base de apoio no Congresso vai muito além do processo de privataria das empresas de saneamento iniciado no governo Fernando Henrique Cardoso. Ela transforma um bem comum - a água - em algo subordinado exclusivamente à lógica do lucro.
Tentativas de dialogar com essa lógica perversa têm obtido resultados insignificantes. A busca de criar consciência política junto a quem mais sofreu, sofre e sofrerá com a aplicação dela na oferta de água à população mais pobre também carece de resultados efetivos. Afinal, o marquetismo competente tende a trabalhar para quem paga mais.
Se conscientizar é problemático, bem-vindas sejam as buscas de sensibilizar pessoas para questões das águas. Como as que colocam em pauta a poluição de todos os tipos de cursos d'água: da pequena nascente aos oceanos.
Bem-vindas sejam ações como as propostas pela iniciativa 100 mil jovens pelas águas, voltada para quem está em escolas. Saudadas sejam iniciativas como a exposição 'Se esse rio fosse meu' montada no Instituto Nacional da Mata Atlântica.
É em Santa Teresa e combina a potência da provocação da arte de Rick Rodrigues com a visão das águas da região e suas histórias proposta por Laércio Ferracioli. Vale uma visita presencial ou virtual.
Mais do que visitar, vale se dar conta do potencial da combinação de arte e ciência para sensibilizar pessoas sobre a questão das águas onde elas vivem. Tomado conta que venha o próximo passo: outros artistas, professores, estudiosos e cientistas montando iniciativas que sensibilizem pessoas em seus territórios sobre 'se essa água (doce, salgada, saloba; de nascente, de corrego, de rio, do mar) fosse minha'.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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