Vitórias em Olimpíadas são sempre comemoradas para além do conseguido por atletas e se transformam em motivos de celebração por parte de boa parte da população de um país. Cada subida no pódio representa muito mais do que o alcançado por quem passa a ostentar uma medalha e se torna uma vitória de todos mobilizados pela feito.
Conquistas esportivas, como todas as demais, são sempre mais do que uma fato momentâneo captado por imagens, sons e palavras disponibilizados pela grande mídia e pelas redes sociais. São acima de tudo fruto de trabalho em equipe e também resultado de políticas de médio e longo prazos estabelecidas por governos.
Mudanças na maneira como o Brasil vem melhorando sua participação em competições esportivas internacionais para muito além dos sucessivos fracassos do futebol masculino precisam ser examinados à luz de políticas públicas de inclusão social. Inclusão social que em última instância implica em colocar os mais pobres no orçamento dos governos federal, estaduais e municipais.
Incluir os mais pobres no orçamento público que, no Brasil, tem como principal símbolo o programa de transferência de renda condicionada de renda. O Bolsa Família, considerado exemplar pelas mais diversas análises de efetividade de políticas públicas, inclusive aquelas de organismos conservadores como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, foi um primeiro e importante passo para muitas vitórias.
Para muito além do reconhecimento internacional obtido pelo presidente Lula pela sua concepção e operacionalização, o sucesso do Bolsa Família é uma vitória da sociedade brasileira como um todo. Vitória contra a vergonha do Brasil permanecer durante tanto tempo no Mapa da Fome. Vitória contra a indignidade de uma economia considerada celeiro do mundo manter entre seus habitantes número considerável de subnutridos e desnutridos.
Vitória da sociedade brasileira que viu ser quebrado o círculo vicioso da pobreza – filho de pobre, pobre será – e serem estabelecidas novas possibilidades para milhões de seus cidadãos. Possibilidades abertas para além da alimentação regular de famílias até então desprotegidas socialmente, já que além de garantir renda mínima colocou o acesso a ela condicionado à frequência dos filhos à escola e a programas de saúde pública.
Suplementado por outros programas de incentivos à inclusão social e econômica o Bolsa Família é uma medalha de ouro para a sociedade brasileira na necessária competição mundial contra o esgarçamento social. Medalha de ouro para a sociedade que resultou em medalhas nas Olimpíadas de Paris que a tantos emocionou.
Bolsa Família e Bolsa Atleta que deram poder a mães e atletas mulheres pobres para quebrar, ainda que em parte, com o machismo e o racismo estruturais brasileiro. Ir além muito além na superação do machismo e do racismo é tarefa de toda a sociedade brasileira que depende de determinação política de governantes.
Tarefa e determinação que colocada na agenda política do país certamente levará a renovadas emoções por vitórias esportivas e em outras áreas de grandeza social que brasileiros merecem celebrar enquanto nação.